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Dividido por dos

Lucas Ramos

Dividido Por Dois

Ahasverus caminhava e vinha em minha direção
O velho andava cabisbaixo e não sentia uma emoção
E, de repente, curioso, me olhou e disse assim
Mas eu pensei que era você quem estava andando atrás de mim

Com um susto acordei e não pude acreditar
Que aquele velho sem destino era eu noutro lugar

Quando nasci fui rejeitado, até hoje não entendo
E disseram que aquilo era porque eu estava vendo
Não era pelo tamanho e não era por ser feioso
O problema desse aqui é que ele é muito curioso

E a voz que criticou foi condenada a falência
A sentença assim dizia: A morte foi a consequência

Nas selvas da América eu rastejava esgotado
Meu líder tinha Rolex, eu tinha sido baleado
Olhei pra minha farda e não vi nenhuma cruz
Pensei em minha mãe, em minha casa e em Jesus

E um estrondo me acordou e parecia tudo igual
Mascarados fecharam a rua armados de um ideal

Entre o asfalto e a ponte um corpo levitava
O tempo voltou ao normal e a desgraça ali estava
Do asfalto veio o cinza e do sangue o escarlate
Num quarto branco acordei como se fosse um arrebate

As paredes se moveram e o guardião me deu um riso
Bem-vindo à nova terra, este é o seu paraíso!

Dividido por dos

Ahasverus caminó y se acercó a mí
El viejo estaba en su cabeza y no sentía ninguna emoción
Y de repente, curioso, me miró y dijo así
Pero pensé que eras tú quien me perseguía

Con un susto me desperté y no podía creerlo
Ese viejo sin destino era yo en otro lugar

Cuando nací fui rechazado, aún hoy no lo entiendo
Y dijeron que era porque estaba viendo
No se trataba del tamaño y no era porque fuera feo
El problema con este es que es muy curioso

Y la voz que criticaste fue condenada a la bancarrota
La sentencia decía así: La muerte fue la consecuencia

En las selvas de América me arrastré exhausto
Mi líder tenía Rolex, me habían disparado
Miré mi uniforme y no vi ninguna cruz
Pensé en mi madre, en mi casa y en Jesús

Y un estruendo me despertó y todo parecía igual
Hombres enmascarados cerraron la calle armados con un ideal

Entre el asfalto y el puente un cuerpo levitado
El tiempo volvió a la normalidad y la desgracia estaba allí
Del asfalto vino la ceniza y de la sangre la escarlata
En una habitación blanca me desperté como un rapto

Las paredes se movieron y el guardián me reía
Bienvenido a la nueva tierra, este es su paraíso!

Escrita por: Lucas Ramos