Deus não grita
Deus mora
No intervalo do dia
Na palavra que espera
Deus não corre
Deus fica
Feito casa antiga
Que espera quem volta
Deus é chão
Não é vento
É silêncio firme
Sustentando o tempo
Deus é pão
Dividido
Entre a fome do mundo
E o pouco que eu sinto
Tu moras em mim
Tu moras em mim
Não és passageiro
Mas raiz sem fim
Tu moras em mim
Tu moras em mim
Quando tudo passar
Tu ficas aqui
Eu Te encontro
Sem pressa
Na xícara fria
Na fé que atravessa
O dia comum
O chão do quintal
Onde o amor de Deus
É simples e real
Tu moras em mim
Tu moras em mim
No que não se explica
Mas insiste em existir
Tu moras em mim
Tu moras em mim
És casa, és porto
És começo e fim
Se eu me perco
Tu ficas
Se eu me calo
Tu falas
Se eu não sei
Tu sabes
Se eu caio
Tu me amparas
Tu moras
Tu moras
Tu moras em mim
Escrita por: Lúcio Rodrigues de Oliveira