Sobre esta sepultura, em que descansa
A cinza fria que foi minha alma
Onde já não me resta esperança
Nem para o sofrer uma só calma
Onde da dor a queixumeira trança
A murcha flor da derradeira palma
Nesta terra do mal, onde respiro
Sólto o derradeiro amargo suspiro
Aqui d'antes o inca, o destemido
Caeté, no seu solo senhoril
Livre vivia, de ninguém vencido
Sob o céu puro do seu Brasil
Aqui do mato o denso colorido
Do suave cantar do passarinho o trilo
Das flores a fragrância e o doce aroma
Enchia de prazer a pátria doma
Mas ai! Que o feroz monstro da ganância
Que o mar trouxe das praias do estrangeiro
Das nossas matas a feliz estância
Desfez num momento inteiro!
A paz, a liberdade, a dócil infância
Tudo destruiu o bárbaro guerreiro
E o sangue do nativo, em torrente
Tingiu a terra de um matiz ardente
Correm minhas lágrimas saudosas
Sobre esta terra que meus país gerou!
Correm em ondas tristes, dolorosas
Por tudo quanto a sorte roubou!
Já que minhas palavras fervorosas
Ninguém neste deserto escutou
Seja a última lágrima do Caeté
O meu protesto, meu grito de fé!
Escrita por: Luis H. Rocha, Nísia Floresta Brasileira