No silêncio do banhado
A noite vai se assombrar
Corre um rastro iluminado
É cobra-de-fogo, é Boitatá
Uma grande escuridão
A terra quase extinta
Uma imensa inundação
Boiguaçu tava faminta
Saiu da gruta escura
Com olhos que tudo vê
Da estranha criatura
Todos ficam à mercê
Boiguaçu olhos devora
Cavalga na noite a brilhar
Quem a natureza ignora
Boitatá vai encontrar
Boitatá, da minha infância
Boitatá, desta querência
Protetora desta estância
Sinto muito a tua ausência
Se encontrar de surpresa
Não respire, não olhe nada
Não encare ela toda acesa
É cobra velha encantada
A cegueira é castigo
A sentença é certeira
Boitatá é um perigo
Pra quem acende fogueira
Boitatá tem tanto relato
Cada um conta como quer
Cada canto tem um formato
Até dizem ser mulher
Tem nome bem diferente
Noutras bandas é Uaná
Mas no pampa da gente
Segue sendo Boitatá
Boitatá, da minha infância
Boitatá, desta querência
Defensora desta estância
Sinto muito a tua ausência
Escrita por: Luis H. Rocha