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Erva-mate Ancestral

Luis H. Rocha

Ao amanhecer o alento
Vem do chiar da chaleira
Começo meu testamento
Com mate e lida campeira

Grande herança Guarani
Uma marca de liberdade
Erva, taquara e porongo
Mais amargo que a verdade

Tradição do gaúcho antigo
Em roda de prosa e comunhão
Uma tribo em volta do fogo
O sagrado ritual da tradição

No pampa chegaram invasores
Jesuítas contra o chimarrão
O primeiro gole afastou temores
Erva-do-diabo virou devoção

Erva-mate ancestral
Moldou nosso coração
Num laço espiritual
Nos fez amar esse chão

Alastrou-se o mate e o seu ritual
Ao largo de las três banderas
O amargo é um chamado tribal
Pra toda nação guerreira

Nessa tradição pertinaz
Domam-se os pensamentos
Todo mal se esvai na paz
Que deixa seu ensinamento

O ritual nesse tempo atual
Pelo pampa e pela cidade
O doutor, o xucro e o bagual
Têm no mate a igualdade

Ao beber a erva missioneira
Os pensamentos em carreira
Fogo de chão, prosa de galpão
Na água e na erva, por certidão

Erva-mate ancestral
Moldou nosso coração
Num laço espiritual
Nos fez amar esse chão

Escrita por: Luis H. Rocha