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Charla

Luiz Felipe Delgado

Charla

Amigo velho você vai me desculpar
Mas vamos ter que deixar a nossa charla por metade
Outro dia a gente senta mais um pouco
E você chora as tristezas dessa vida da cidade

Pensando bem cumpadre
Nós vivemos de saudade
Nós vivemos de saudade

Com suas licença mas preciso ir andando
O patrão está me esperando e não sou homem de abusar
A vida é assim sei que a coisa não tá mansa
Sonho emulher e as criança não posso facilitar

Pensando bem cumpadre
Nós vivemos de saudade
Nós vivemos de saudade

Deixe no más que eu pago a saidera
Me trança poupa é besteira
Não vai me deixar mais pobre
É que este ano o tempo correu buenacho
Igualzito a lã dos meus guaxos
Deu até pra juntar uns cobre

A vida é assim, não fica aflito
Prometo lhe pego o grito
Se der uma changa por lá
Lembrança aos seus, até mais ver
Que já tá quase na hora do ônibus do Jequiquá

Pensando bem cumpadre
Nós vivemos de saudade
Nós vivemos de saudade

Charla

Viejo amigo, discúlpame
Pero tendremos que dejar nuestra charla a medias
Otro día nos sentamos un rato más
Y lloras las tristezas de esta vida en la ciudad

Pensándolo bien, compadre
Vivimos de la nostalgia
Vivimos de la nostalgia

Con su permiso, debo irme caminando
El jefe me está esperando y no soy de abusar
Así es la vida, sé que las cosas no están fáciles
Sueño con mi mujer y los niños, no puedo demorar

Pensándolo bien, compadre
Vivimos de la nostalgia
Vivimos de la nostalgia

Déjame pagar la cuenta
No te preocupes, es tontería
No me dejará más pobre
Es que este año el tiempo pasó volando
Igual que la lana de mis ovejas
Hasta pude juntar unas monedas

Así es la vida, no te preocupes
Te prometo que te responderé
Si surge algún problema por allá
Saludos a los tuyos, hasta luego
Que ya casi es hora del autobús de Jequiquá

Pensándolo bien, compadre
Vivimos de la nostalgia
Vivimos de la nostalgia

Escrita por: Silvio Aymone Genro, Luiz Felipe Delgado