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Retrato de Matuto

Luizinho Calixto

Retrato de Matuto

Nasci lá na chapada, sou filho da terra
Subo serra, desço serra
Não consigo ficar só

Não tenho pressa, é bem devagarinho
Rodo o mundo inteirinho
A procura de um forró

Se tem um sanfoneiro, zabumba batendo
Danou-se tô nem vendo
Chego é pra ficar

Eu sou matuto, mas não sou otário
Seu doutor me dê licença
Também sei dançar
Eu sou matuto, mas não sou otário
Seu doutor me dê licença
Também sei dançar

Quem pensa que sou besta
Tá perdendo tempo
Pra não ser violento
No forró quero respeito

Meu coração bate aperrado
Se minha cabrocha não dançar direito

Mexe e vira, vira e mexe
No meio do salão
Na luz do lampião até o Sol raiar

Eu sou matuto, mas não sou otário
Seu doutor me dê licença
Também sei dançar
Eu sou matuto, mas não sou otário
Seu doutor me dê licença
Também sei dançar

Retrato de Matuto

Nací allá en la meseta, soy hijo de la tierra
Subo cerro, bajo cerro
No puedo quedarme solo

No tengo prisa, es bien despacito
Doy vueltas al mundo entero
Buscando un buen forró

Si hay un acordeonista, el tambor golpeando
Me da igual, ni lo veo
Voy para quedarme

Soy campesino, pero no soy tonto
Señor doctor, permítame
También sé bailar
Soy campesino, pero no soy tonto
Señor doctor, permítame
También sé bailar

Quien piense que soy tonto
Está perdiendo el tiempo
Para no ser violento
En el forró quiero respeto

Mi corazón late apurado
Si mi chica no baila bien

Mueve y gira, gira y mueve
En medio del salón
A la luz del farol hasta que salga el Sol

Soy campesino, pero no soy tonto
Señor doctor, permítame
También sé bailar
Soy campesino, pero no soy tonto
Señor doctor, permítame
También sé bailar

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