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Caballo suelto

Mafalda Arnauth

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Minha laranja amarga e doce
Minha espada
Poema feito de dois gomos
Tudo ou nada
Por ti renego
Por ti aceito
Este corcel que não sossega
A desfilada no meu peito

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Minha alegria
Minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Caballo suelto

Mi dulce naranja amarga
mi poema
hecho de cogollos anhelantes
mi pena
pesado y ligero
secreto y puro
mi pasaje al breve breve breve breve
Instantáneo de locura

Mi audacia
mi galope
mi rienda
mi potro loco
mi llama
mi restición
de luz intensa
voz abierta
mi denuncia de lo que piensas
de lo que sienten las personas adecuadas

En ti respiro
en ti pruebo
para usted con usted
esta fuerza que otra vez
en ti persigo
en ti camino
caballo suelto
por el borde de tu cuerpo

Mi alegría
mi amargura
mi coraje para correr contra la ternura

Mi dulce naranja amarga
Mi espada
Poema hecho de dos cogollos
Todo o nada
Por ti repudio
Por ti acepto
Este corcel que no se asienta
El desfile en mi pecho

Así que digo
Canción de castigo
almendra bloqueo cuerpo alma amante amigo
Así que canto
así que digo
casa porche cama arca de mi trigo

Mi alegría
Mi amargura
mi coraje para correr contra la ternura

Escrita por: Fernando Tordo