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Polvo

Marcelo Costa

Poeira

O carro de boi lá vai
Gemendo lá no estradão
Suas grandes rodas fazendo
Profundas marcas no chão
Vai levantando poeira poeira vermelha
Poeira poeira do meu sertão

Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão
Vai mugindo e vai ruminando
Cabeças em confusão
Vai levantando poeira poeira vermelha
Poeira poeira do meu sertão

Olha só o boiadeiro
Montado em seu alazão
Conduzindo toda a boiada
Com seu berrante na mão
Seu rosto é só poeira poeira vermelha
Poeira poeira do meu sertão

Barulho de trovoada
Coriscos em profusão
A chuva caindo em cascata
Na terra fofa do chão
Virando em lama a poeira poeira vermelha
Poeira poeira do meu sertão

Poeira entra em meus olhos
Não fico zangado não
Pois sei que quando eu morrer
Meu corpo irá para o chão
Se transformar em poeira poeira vermelha
Poeira poeira do meu sertão

Poeira do meu sertão poeira
Poeira do meu sertão

Polvo

El carro de bueyes allá va
Gimiendo en el camino
Sus grandes ruedas haciendo
Marcas profundas en el suelo
Levanta polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Mira, señor, el ganado
Buscando el arroyo
Mugiendo y rumiando
Cabezas en confusión
Levanta polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Mira al vaquero
Montado en su alazán
Guiando todo el ganado
Con su cuerno en la mano
Su rostro es solo polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Ruido de tormenta
Relámpagos en abundancia
La lluvia cayendo en cascada
En la tierra suave del suelo
Convirtiendo en barro el polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

El polvo entra en mis ojos
No me enojo
Porque sé que cuando muera
Mi cuerpo irá al suelo
Se transformará en polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Polvo de mi tierra, polvo
Polvo de mi tierra

Escrita por: Luis Bonan / Serafim Colombo Gomes