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O princípio e o fim

Marcelo Oliveira

A vida que me deste, terra minha
É o bem maior que ainda me acompanha
Deixei pelo caminho o que eu não tinha
Fiquei com esse teu jeito de campanha

De andar longe de ti, pelos caminhos
Por outras gentes, de idiomas tantos
Me orienta esse teu cheiro de carinho
Dos pastos que perfumam nossos campos

E aquela imagem tua não se apaga
Com lágrima, poeira ou cerração
A casa com varanda, as duas águas
E o barro da parede do galpão

Querência é porteira de estrada
Rincão é um pátio, um jardim
O pago é potreiro e aguada
E a terra, é o princípio e o fim

O tempo é como bruma na canhada
Cobrindo o campo, escondendo o gado
Eu passo e a vista não divulga nada
Mas sinto cada boi no meu costado

E assim, por onde andar, não será longe
Que não há reza pra tanto quebranto
Do umbu lá das mangueiras eu fiz meu monge
Do esteio do galpão eu fiz meu santo

Ah, Terra! Essa saudade que me ataca
Batendo como vento no alecrim
Eu sei que a nostalgia não me mata
Porque te faz maior dentro de mim

Querência é porteira de estrada
Rincão é um pátio, um jardim
O pago é potreiro e aguada
E a terra é o princípio e o fim

Escrita por: Marcelo Oliveira