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Toca

Marcus Vinile

Toca

Toca vida fulminada
Toca casa leiloada
To caindo
Tocas cordas do violão rebentadas
To caçando uma atitude pra tomar
Não tem nem água
To cavando e plantando sementes
Pra adubar com mágoas
To caimbrolando
Toca policia atrás de mim
To cachinando das desgraças
Se ainda se pode rir

Tocata, tocarola, tocandira, tocainará
Tocaia, tacadura tocadela

Toca cueca furada
Toca meia desfiada
Toca camisa rasgada
Toca calça emprestada
Toca vida fulminada, e daí? Quem se importa?
Ninguém quer saber se eu tenho um pai vivo ou uma mãe morta
Ninguém quer saber se o meu barraco tem janela e porta
Ou seu eu ponho na entrada uma taboa velha e torta

Toca, toca, toca
Vida louca, muito louca
Vida oca vida
Pouca vida e muita perdição
Dessa vida eu nada levo
E nela eu levo um nada todo dia
Correria gritaria putaria
Abaixa a arma
Chega de vida louca
Não adianta mostrar o ferro e me mandar calar a boca
Só da meus vale-transportes, meu "pisante", e minha toca

Toca

Toca vida fulminada
Toca casa subastada
Me estoy cayendo
Tocas cuerdas de guitarra rotas
Estoy buscando una actitud para adoptar
No hay ni agua
Estoy cavando y plantando semillas
Para abonar con rencores
Estoy desvariando
Toca la policía detrás de mí
Me estoy riendo de las desgracias
Si aún se puede reír

Tocata, tocarola, tocandira, tocainará
Tocaia, tacadura tocadela

Toca calzoncillos agujereados
Toca medias desgastadas
Toca camisa rasgada
Toca pantalones prestados
Toca vida fulminada, ¿y qué? ¿A quién le importa?
Nadie quiere saber si tengo un padre vivo o una madre muerta
Nadie quiere saber si mi choza tiene ventana y puerta
O si pongo en la entrada una tabla vieja y torcida

Toca, toca, toca
Vida loca, muy loca
Vida hueca vida
Poca vida y mucha perdición
De esta vida no llevo nada
Y en ella llevo un nada cada día
Correría, gritos, desenfreno
Baja el arma
Basta de vida loca
No sirve de nada mostrar el hierro y mandarme callar
Solo dame mis vales de transporte, mis zapatos, y mi toca

Escrita por: Marcus Vinile