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Tres Silbatos

Maria Rita

Três Apitos

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê

Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito tão aflito
Da buzina do meu carro?

Você no inverno
Sem meias volta ao trabalho
Não faz fé com agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo
Artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você

Nos meus olhos você vê
Como sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente impertinente
Que dá ordens a você

Sou do sereno
Poeta muito soturno
Vou virar guarda noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos prá você

Tres Silbatos

Cuando el silbato de la fábrica de tejidos
Viene a herir mis oídos
Me acuerdo de ti
Pero tú andas
Sin duda muy enojada
O estás interesada
En fingir que no me ves

Tú que respondes al silbato
De una chimenea de barro
¿Por qué no respondes al grito tan angustiado
Del claxon de mi carro?

Tú en invierno
Sin medias vuelves al trabajo
No crees en abrigo
Ni en el frío tú crees
Pero tú eres realmente
Un artículo que no se imita
Cuando la fábrica silba
Hace publicidad de ti

En mis ojos ves
Cómo sufro cruelmente
Con celos del gerente impertinente
Que te da órdenes a ti

Soy del sereno
Poeta muy sombrío
Voy a convertirme en guardia nocturno
Y tú sabes por qué
Pero tú no sabes
Que mientras tú haces tela
Yo hago junto al piano
Estos versos para ti

Escrita por: Noel Rosa