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Bombaião

Mariângela de Abreu

Bombaião

O meu canto
Se latino americano brasileiro
Veio sem medida
Viajou bocas e ouvidos
E a minha voz
Aqui mesmo caiu adormecida

E adormeço com o meu pé na barriga
Correndo atrás do coletivo na avenida
Se perco o passo, já perdi coisa pior
Tal como a paz, o meu radinho e uma dona bem bonita

O meu canto
Se latino americano brasileiro
Veio sem medida
Viajou bocas e ouvidos
E a minha voz
Aqui mesmo caiu adormecida

Cobrindo os campos com cachaça e o luar do sertão
Semeio pedaços de dentes pelo chão
Abro a boca, um tesouro ouro-marfim
Pele em veios, brilha ouro, cor café-carmim

O meu canto
Se latino americano brasileiro
Veio sem medida
Viajou bocas e ouvidos
E a minha voz
Aqui mesmo caiu adormecida

Se abro a mão vem alguém e tira
Se fecho os olhos o meu coração grita
Só tenho medo da verdade dita
Pois não se diz mais pelos cantos o que se acredita

O meu canto
Se latino americano brasileiro
Veio sem medida
Viajou bocas e ouvidos
E a minha voz
Aqui mesmo caiu adormecida

Bombaião

Mi canto
De latinoamericano brasileño
Vino sin medida
Viajó por bocas y oídos
Y mi voz
Aquí mismo cayó dormida

Y me duermo con mi pie en la barriga
Corriendo detrás del colectivo en la avenida
Si pierdo el paso, ya perdí algo peor
Como la paz, mi radito y una dama bien bonita

Mi canto
De latinoamericano brasileño
Vino sin medida
Viajó por bocas y oídos
Y mi voz
Aquí mismo cayó dormida

Cubriendo los campos con cachaça y el resplandor del sertón
Siembro pedazos de dientes por el suelo
Abro la boca, un tesoro oro-marfil
Piel en venas, brilla oro, color café-carmín

Mi canto
De latinoamericano brasileño
Vino sin medida
Viajó por bocas y oídos
Y mi voz
Aquí mismo cayó dormida

Si abro la mano viene alguien y quita
Si cierro los ojos, mi corazón grita
Solo temo a la verdad dicha
Pues ya no se dice en susurros lo que se cree

Mi canto
De latinoamericano brasileño
Vino sin medida
Viajó por bocas y oídos
Y mi voz
Aquí mismo cayó dormida

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