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Blues de la Vida

Mariângela de Abreu

Vida Blues

Quando amanheço
Não tenho nada a perder
Só me lembro
Que estou viva
E o tempo
Insiste em me comer

Depois junto
Os meus pedaços
Penso: Estou inteira
Guardo todos
Os meus pecados
Na minha carteira

Nesse lero, que não quero
Que nega o meu lado esquisito
Tomo um gin
E começo a dizer
Fora ou grito, grito, grito

E você sempre acredita
Arruma tudo
E me deixa

Volto pra cama
Reviro as cobertas
C’est la vie
Não nasci pra gueixa

Blues de la Vida

Cuando amanezco
No tengo nada que perder
Sólo recuerdo
Que estoy viva
Y el tiempo
Insiste en devorarme

Después junto
Mis pedazos
Pienso: Estoy completa
Guardo todos
Mis pecados
En mi cartera

En esta charla, que no quiero
Que niega mi lado extraño
Tomo un gin
Y empiezo a decir
Fuera o grito, grito, grito

Y tú siempre crees
Arreglas todo
Y te vas

Vuelvo a la cama
Revuelvo las cobijas
Así es la vida
No nací para ser geisha

Escrita por: Mariângela de Abreu