Noite de Saudade
A noite vem pousando devagar
Sobre a terra que inunda de amargura
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura
E eu ouço a noite imensa soluçar
E eu ouço soluçar a noite escura
Porque és assim tão escura, assim tão triste?
É que talvez, oh noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho
Saudade que eu sei donde me vem
Talvez de ti, oh noite, ou de ninguém
Que eu nunca sei quem sou nem o que tenho
Noche de Nostalgia
La noche va posándose lentamente
Sobre la tierra que se inunda de amargura
Y ni siquiera la bendición de la luna
Quiso volverla divinamente pura
Nadie viene detrás de ella para acompañarla
En su dolor que está lleno de tortura
Y escucho a la inmensa noche sollozar
Y escucho sollozar a la noche oscura
¿Por qué eres tan oscura, tan triste?
¿Será que tal vez, oh noche, en ti existe
Una nostalgia igual a la que yo contengo?
Nostalgia que sé de dónde me viene
Tal vez de ti, oh noche, o de nadie
Que nunca sé quién soy ni qué tengo
Escrita por: Florbela Espanca