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Cartel

Mauricião Afroage

O cifrão na conta já virou rotina
Passando a tropa, ninguém imagina
De onde a gente veio, o escuro era real
Hoje ouro branco brilha no jornal

Cortei a raiz de quem quis me podar
Minhas asas prontas pra atravessar o mar
Passaporte azul, bilhete sem volta
A vida é minha e a chave tá na porta

Coleira de grife? Só se for no meu pulso
Cada cifrão conquistado com pulso
Não peço favor, eu compro a vista
O topo é pouco pra quem não conquista
Balmain no corpo, o perfume caro
O passado é cinza, o presente é raro

Salão reservado em Milão, exclusividade
Liberdade tem o preço da verdade
Nenhum homem paga o que eu conquistei sozinha
A coroa é minha, a firma é minha
Champanhe gelado, vista pro horizonte
Quem tentou fechar a porta, hoje chora na ponte

E o eco do passado
Já virou som de aplauso
O degrau foi pesado
Mas o topo é o nosso espaço

Cartel de platina, as joias reluzem
No jogo da vida, os fracos se excluem
Voando alto, bem longe do chão
Independência é a nossa religião
Marcas de luxo, o mundo nos pés
O saldo bancário resolve o que és

Dinheiro na mente
Viagem marcada
Nenhuma parada
O império é presente

O motorista aguarda na porta do hotel
Escrevendo a história mais perto do céu
Sem olhar pra trás, sem pedir perdão
O sucesso é bruto na minha mão

Cartel de platina
O topo é nosso

Escrita por: Mauricião Afroage, Jeeh Afroage