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Código do Amanhã

Mauricião Afroage

Acordo com o brilho do painel no olhar
Dados correm nas veias, não dá pra parar
Cidade flutua, prédios tocam o céu
O tempo não é mais relógio, é um painel

Memórias salvas em nuvem, sem risco de apagar
Mas o que é real mesmo?
Eu tento decifrar
Ruas com luzes que mudam conforme o humor
Robôs cumprimentam, mas não sabem o que é amor

Eu ando entre o digital e o que é carne e osso
Buscando a essência, fugindo do processo
Muitos vivem em telas, esquecem de sentir
Eu carrego no peito o que ninguém pode copiar

Senha de acesso? Não, minha alma é chave
Caminho na linha tênue, entre o sonho e a nave
O futuro não é um lugar, é o que a gente cria
Cada passo é um código, cada ato é uma via

Somos o código que o amanhã vai ler
Luz na escuridão, não vamos nos perder
Mundos se cruzando, fronteiras a cair
O que somos de verdade, ninguém vai definir

Sinal forte, conexão que não se apaga
História nova, a nossa voz é a saga
Além do visível, além do que se vê
O futuro é aqui, e é feito por nós, vê?

Cartões de memória guardam erros e acertos
Mas aprendemos mais com os nossos desacertos
Viagem por redes, por universos paralelos
O conhecimento é o poder que não tem selos

Muitos só seguem o algoritmo, sem questionar
Eu questiono o sistema, gosto de desafiar
A tecnologia é ferramenta, não é senhor
Quem comanda o destino é o nosso interior

Vi pessoas trocarem abraços por telas
Esquecerem o calor, viverem de aparências belas
Mas eu mantenho o coração aberto, bem ligado
Entre bits e átomos, eu sou o lado

Humano, único, que não se pode programar
Que sente, que luta, que sabe o que é amar

Promessas no ar mas o povo ainda espera
Mas quando a festa acaba quem paga é a gente
Promessas vazias, palavras que não valem nada
Você chora e não cumpre e o mundo tá de olho

Tela cheia de discurso, mas a mão estendida não vê
Quem manda no jogo não quer o povo crescer
Dizem que é progresso, mas é só ilusão
Enquanto o povo sofre, eles fazem confusão

Sistema que brilha mas não traz solução
Luzes altas, mas escuridão no chão
Você prometeu mudança, mas onde é que está?
A conta vem pra nós, sempre temos que pagar

Não vem com desculpa, não tenta disfarçar
O mundo tá de olho, não vai mais perdoar

Os dados não mentem, a história vai contar
Quem ficou do lado de cá, quem quis dominar
O futuro é nosso, não vamos mais deixar

Palavras ao vento, ninguém vai engolir
A força da gente é o que vai emergir
De cada canto, de cada lugar
A voz da verdade começa a gritar

Somos o código que o amanhã vai ler
Luz na escuridão, não vamos nos perder
Mundos se cruzando, fronteiras a cair
O que somos de verdade, ninguém vai definir

Promessas cumpridas, agora é a nossa vez
O mundo tá de olho, é a nossa vez de ser
Além do visível, além do que se vê
O futuro é aqui, e é feito por nós, vê?

Escrita por: Mauricião Afroage & Jeeh Afroage