Milonga do meu Rosilho
Meu rosilho se resolve topar parada comigo
Não há quem diga pra ele que nós dois somos amigos
Vem da invernada rachando num estadão que é uma tronqueira
E passa a noite escarceando pra adelgaçar na mangueira
De manhã quando me aprumo não tem forma nem costeio
Nem um canto da mangeuira pra chegar e botar o freio
Erra o coice o meu rosilho, murcha a prelha e sai pros lados
Só porque passou uns dias pastando com uns aporreados
Parece que não conhece o fio e a força da espora
Ou não se lembra direito dos mangaços campo a fora
Dos arreios bem cinchados, bocal, maneia e rendilha
De quando quis corcovear depois da primeira encilha
Se topou mal o meu rosilho que eu também tenho os meus dias
Quando eu durmo destapado e a noite implica em ser fria
Porque eu não sou muito manso e se me acordo do avesso
Não te tiro pra compadre e tu me paga este preço
Não sei porque o reboliço na mangueira se negando
Pra depois sair que é um gato pelo potreiro tranqueando
Crioulo de marca e sangue que me veio por regalo
Da Estância da Guajuvira mil gracias pelo cavalo!
Milonga de mi Rosillo
Mi rosillo decide enfrentarse conmigo
No hay quien le diga que somos amigos
Viene del rodeo rompiendo en un estado que es un corralón
Y pasa la noche relinchando para adelgazar en la manga
Por la mañana cuando me arreglo no tiene forma ni límite
Ni un rincón de la manga para llegar y frenar
Mi rosillo se equivoca, se encoge la grupa y se va de lado
Solo porque pasó unos días pastando con unos golpeados
Parece que no conoce el filo y la fuerza de la espuela
O no recuerda bien las pialadas campo afuera
De los arreos bien ajustados, bozal, riendas y riendas
Cuando quiso corcovear después de la primera cincha
Si mi rosillo se portó mal, yo también tengo mis días
Cuando duermo destapado y la noche insiste en ser fría
Porque no soy muy manso y si me despierto del revés
No te trato como compadre y tú me pagas este precio
No sé por qué el alboroto en la manga negándose
Para luego salir como un gato por el potrero acechando
Criollo de marca y sangre que vino como regalo
De la Estancia de Guajuvira ¡mil gracias por el caballo!
Escrita por: MAURO MORAES