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Sanhaço

Miguel Rabello

Sanhaço

Pássaro que bate a asa
Sobre a Ilha Rasa
Pela imensidão
Se passará na minha casa
Nunca saberei, não

Cinzento sanhaço
No braço do vento
No alento do espaço sem fim
Vem cá cantar pra mim

Vem cá
Que eu me contento só de ouvir teu canto
Vem cá
Que me faz bem, que eu gosto tanto
Vem cá, vem cá

Oh! Pássaro que me extravasa
Quando atiça a brasa
Do meu coração
Teu cântico jamais atrasa
A minha inspiração, não

Teu pio suspenso
No imenso vazio
No fim do lenço de brim
Na corda do jardim
No pé de pau-marfim
Afina o teu flautim
E vem cantar pra mim!

Sanhaço

Pájaro que bate el ala
Sobre la Isla Desnuda
Por la inmensidad
¿Se pasará por mi casa?
Nunca lo sabré, no

Sanhaço gris
En el brazo del viento
En el aliento del espacio sin fin
Ven aquí a cantar para mí

Ven aquí
Que me contento solo con escuchar tu canto
Ven aquí
Que me hace bien, que me gusta tanto
Ven aquí, ven aquí

¡Oh! Pájaro que me desborda
Cuando aviva la brasa
De mi corazón
Tu canto nunca se retrasa
Mi inspiración, no

Tu trino suspendido
En el inmenso vacío
Al final del pañuelo de mezclilla
En la cuerda del jardín
En el pie de palo de marfil
Afinando tu flautín
¡Y ven a cantar para mí!

Escrita por: Miguel Rabello / Paulo César Pinheiro