395px

Caboclo en la Ciudad

Mococa e Paraíso

Caboclo Na Cidade

seu moço eu já fui roceiro
No triângulo mineiro onde eu tinha o meu ranchinho
Eu tinha uma vida boa
Com a Isabel minha patroa e quatro barrigudinhos

Eu tinha dois bois carreiros
Muito porco no chiqueiro e um cavalo bom, arriado
Espingarda cartucheira
Quatorze vacas leiteiras e um arrozal no banhado

Na cidade eu só ia
Cada quinze ou vinte dias para vender queijo na feira
E no mais tava folgado
Todo dia era feriado pescava a semana inteira

Muita gente assim diz
Que não tem mesmo raiz esta tal felicidade
Então aconteceu isto
Resolvi vender o meu sitio pra ir morar na cidade

Já faz mais de doze anos
Que eu aqui estou morando como eu vivo arrependido
Aqui é tudo diferente
Não me dou com essa gente vivo muito aborrecido

Não ganho nem pra comer
Já não sei o que fazer estou ficando quase louco
É só luxo e vaidade
Penso até que a cidade não é lugar de caboclo

Minha filha Sebastiana
Que sempre foi tão bacana me dá pena da coitada
Namorou um cabeludo
Que dizia ter de tudo mas fui ver não tinha nada

Se mandou para outras bandas
Ninguém sabe onde ele anda e a filha está abandonada
Como dói meu coração
Ver a sua situação nem solteira e nem casada

Até mesmo a minha velha
Já está mudando de idéia veja só como passeia
Vai tomar banho de praia
Está usando mini-saia e arrancando a sobrancelha

Nem comigo se incomoda
Quer saber de andar na moda com as unhas todas vermelhas
Depois que ficou madura
Começou a usar pintura credo em cruz que coisa feia

Voltar pra Minas Gerais
Sei que agora não dá mais acabou o meu dinheiro
Que saudade da palhoça
Eu sonho com minha roça no triângulo mineiro

Eu não sei como se deu isso
Quando eu vendi o sítio para vir morar na cidade
Seu moço naquele dia
Eu vendi minha família e a minha felicidade

Caboclo en la Ciudad

señor, yo solía ser campesino
En el triángulo minero donde tenía mi ranchito
Tenía una vida buena
Con Isabel, mi patrona, y cuatro panzones

Tenía dos bueyes de carga
Muchos cerdos en el chiquero y un buen caballo ensillado
Escopeta de cartuchos
Catorce vacas lecheras y un arrozal en el pantano

En la ciudad solo iba
Cada quince o veinte días a vender queso en la feria
Y por lo demás, estaba tranquilo
Todos los días eran feriados, pescaba toda la semana

Mucha gente así dice
Que la felicidad no tiene raíces
Entonces sucedió esto
Decidí vender mi finca para ir a vivir en la ciudad

Ya han pasado más de doce años
Desde que estoy aquí viviendo, arrepentido
Todo es diferente aquí
No me llevo bien con esta gente, vivo muy disgustado

No gano ni para comer
Ya no sé qué hacer, estoy casi volviéndome loco
Solo lujo y vanidad
Creo que la ciudad no es lugar para un campesino

Mi hija Sebastiana
Que siempre fue tan amable, me da pena la pobre
Salió con un peludo
Que decía tenerlo todo, pero al ver, no tenía nada

Se fue a otras tierras
Nadie sabe dónde anda y la hija está abandonada
Cómo duele mi corazón
Ver su situación, ni soltera ni casada

Incluso mi vieja
Ya está cambiando de idea, mira cómo pasea
Va a bañarse a la playa
Usa minifalda y se depila las cejas

Ni siquiera se preocupa por mí
Quiere estar a la moda con las uñas todas rojas
Después de madurar
Comenzó a usar maquillaje, ¡qué feo!

Volver a Minas Gerais
Sé que ahora no es posible, se acabó mi dinero
Qué nostalgia de la choza
Sueño con mi campo en el triángulo minero

No sé cómo sucedió esto
Cuando vendí la finca para venir a vivir en la ciudad
Señor, en ese día
Vendí mi familia y mi felicidad

Escrita por: Dino Franco / Nho Chico