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Madeixa

Moyseis Marques

Madeixa

Morena, diz pra mim de onde é que vem o encanto
Que mexe tanto com o meu despudor
Não sei se vem do teu frescor de ameixa
Ou da madeixa em que tu pões a flor

Por Deus, revela a senha desse teu sorriso
Que é um paraíso, um pôr-de-sol de praia
Define, pois nem comentar me atrevo
O alto-relevo dessa tua saia
De qual pitanga é feita tua boca
Mistura louca de odalisca e maia
Que, só de ver, eu sem querer me acabo
Viro o diabo e fico de tocaia
E se percebes a minha loucura
Boles com a cintura e faz de mim cobaia

Menina, diz pra mim por que a visão se turva
Se eu vejo a curva desse teu quadril
Acho que és, por baixo do tecido
Um proibido mapa do Brasil

Por Deus, me explica agora por que o teu pescoço
Já me faz bom-moço, seguidor, lacaio
Me conta por que ficas mais bonita
Quando me fitas meio de soslaio
De qual Arábia vem esse teu molho
E esse teu olho quase verde-gaio
Que, se vem vindo, eu quase peço arrego
Perco o sossego; mas sair, não saio
Vem pro salão, escuta um elogio
Que a dança é um cio com sabor de ensaio

Madeixa

Morena, dime de dónde viene el encanto
Que tanto perturba mi desvergüenza
No sé si viene de tu frescura de ciruela
O de la madeja en la que pones la flor

Por Dios, revela la clave de esa sonrisa tuya
Que es un paraíso, un atardecer en la playa
Define, pues ni me atrevo a comentar
El relieve de esa falda tuya
De qué guayaba está hecha tu boca
Mezcla loca de odalisca y maia
Que, solo con verla, sin querer me rindo
Me vuelvo el diablo y me quedo al acecho
Y si notas mi locura
Mueves la cintura y me conviertes en conejillo de indias

Niña, dime por qué se nubla mi vista
Si veo la curva de tu cadera
Creo que eres, debajo de la tela
Un mapa prohibido de Brasil

Por Dios, explícame ahora por qué tu cuello
Ya me hace buen mozo, seguidor, lacayo
Cuéntame por qué te ves más bonita
Cuando me miras de reojo
De qué Arabia viene esa salsa tuya
Y ese ojo casi verde-jilguero
Que, si se acerca, casi pido tregua
Pierdo la calma; pero no me voy
Ven al salón, escucha un elogio
Que el baile es un celo con sabor a ensayo

Escrita por: Moyséis Marques / vidal assis