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Maloqueiro Sin Futuro

Mundo Cão

Maloqueiro Sem Futuro

Eu queria estar em frentas ao março
Sem ter um tubarão pra me devorar
Morder minha perna, levar minha mão
Que outro dia estendi pra ajudar um cidadão...

Que cometeu uma falta, um quase nada
Roubou um pão, levou porrada
Tava com fome, o que fazer?
Quem tem fome tem pressa, não tem tempo de entender

Porque era pobre mesmo, maloqueiro sem futuro
Branco, negro, ou coisa assim
E espera tudo deles e não vem nada, nego
E fica assim...

A porrada doeu, deve ter doído
Mais ainda lá na alma, no orgulho ferido
A vergonha que passou na frente dos passantes
E a certeza de que a vida não é mais como era antes

Cidadania, "o que que é isso"?
É brigar pelo que é seu, deixar de ser omisso
É dar vas mãos pra poder se ajudar
Não ficar aí parado, vendo o outro apanhar

Porque era pobre mesmo, maloqueiro sem futuro
Branco, negro, ou coisa assim
E espera tudo deles e não vem nada, nego
E tá sem nada mesmo, e fica assim...

Porque eu sou pobre mesmo, maloqueiro sem futuro
Branco, negro, ou coisa assim
E espero tudo deles e não vem nada, nego
E eu tô sem nada mesmo, e eu fico assim...


Maloqueiro Sin Futuro

Quería estar frente al mar
Sin tener un tiburón que me devorara
Morder mi pierna, llevarse mi mano
Que otro día extendí para ayudar a un ciudadano...

Que cometió una falta, casi nada
Robó un pan, recibió golpes
Tenía hambre, ¿qué hacer?
Quien tiene hambre tiene prisa, no tiene tiempo de entender

Porque era pobre de verdad, maloqueiro sin futuro
Blanco, negro, o algo así
Y esperan todo de ellos y no viene nada, hermano
Y así se queda...

Los golpes dolieron, debe haber dolido
Aún más en el alma, en el orgullo herido
La vergüenza que pasó frente a los transeúntes
Y la certeza de que la vida ya no es como era antes

Ciudadanía, ¿qué es eso?
Es luchar por lo que es tuyo, dejar de ser omiso
Es darnos la mano para poder ayudarnos
No quedarnos ahí parados, viendo al otro ser golpeado

Porque era pobre de verdad, maloqueiro sin futuro
Blanco, negro, o algo así
Y esperan todo de ellos y no viene nada, hermano
Y están sin nada de verdad, y así se quedan...

Porque yo soy pobre de verdad, maloqueiro sin futuro
Blanco, negro, o algo así
Y espero todo de ellos y no viene nada, hermano
Y estoy sin nada de verdad, y así me quedo...

Escrita por: Fábio Gadel / Zeca Salgueiro