Menino
Que lábios são estes
que beijam de leste,
que cuidam de mim
e não perguntam de onde eu vim?
Que mão é aquela
que afaga
com luva de lã?
Nada inocente,
tampouco carente,
e que a meninice
a torna demente
Você se fez assim,
menino seguro,
menino de lua,
já impôs seu fim.
Você se fez você,
menino tão pronto
não quer aprender
a viver e a conviver.
Hoje eu não consigo
olhar pro céu sem lembrar
dessa represa de sensações e privações,
e é só assim que eu faço canções.
Niño
Qué labios son esos
que besan desde el este,
que cuidan de mí
y no preguntan de dónde vengo?
Qué mano es esa
que acaricia
con guantes de lana?
Nada inocente,
ni necesitada,
y la niñez
la vuelve loca.
Te hiciste así,
niño seguro,
niño de luna,
ya impuso su fin.
Te hiciste tú,
niño tan listo,
no quieres aprender
a vivir y convivir.
Hoy no puedo
mirar al cielo sin recordar
de esta represa de sensaciones y privaciones,
y solo así es como hago canciones.
Escrita por: Nando Freitas / Taïs Reganelli