Devia ser um dia simples como foi o outro, mas estava diferente pelo clima que havia
Gás em todo lado, a rua cheia de polícia, aqui não há milícia que derruba a nossa ira
Estava frio, levantei o jack e pus o gorro
No ouvido, Marechal, Azagaia e Cloro
Não há inocentes num conflito de gigantes
É o povo contra os homens que à noite viram assaltantes
Jovem revoltado, acumulo um super ego pelo que aprendo nesses becos de cegueira
Havia boca de fumaça nessa vizinhança
Mas já virou passado, o puto já não fuma, passa
Agora fumo e bebo Che Guevara e Fidel Castro
São manuais para a liberdade que eu caço
Não quero ser a lenda, nem tão pouco um Fidel Castro
Eu quero a vida como a do filho do ministro
Haverá justiça, mano, juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Tarde ou cedo, Moçambique irá se rebelar
Haverá justiça, mano, juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Justiça popular com papel e uma caneta
Não escolhe a instrumental, nem tão pouco a letra
Não importa o sexo, muito menos a idade
Negro ou mulato, não importa a sua raça
São todos convocados a se juntar à nossa marcha
Africano em Huambo, do africano em Guava
Separados por Harare, unidos pela causa
Estudante ou professor, não importa o nível
Fogo em tribunais que perderam seus valores
E nos partidos que no povo buscam eleitores
Nélio é patriota, neste som convoco a minha malta
Em busca da justiça, quem é nós faz a falta
Rumo à Praça da Independência, pra fazer valer a sua história
Então, sustentada por heróis, não faço por escolha
Eu tenho uma missão e a vontade de vencer fez de mim um porta-voz
Haverá justiça, mano, juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Tarde ou cedo, Moçambique irá se rebelar
Haverá justiça, mano, juro, haverá, o povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Haverá justiça, mano, juro, haverá, o povo irá dançar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Tarde ou cedo, Moçambique irá se rebelar
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Haverá justiça, mano, juro, haverá
Bala de borracha não me afugenta, mano
Apenas me liberta e me deixa mais zangado
Sou Moçambicano, às vezes muito puritano
Já que em cada canto Bantu há sempre um tirano
Pronto pra fazer valer a sua dinastia preta
Africanos se traíram pelo povo Celta
A rua está sangrenta porque o povo se cansou
De chorar calado enquanto a sua terra expirou
Onde vou queixar se os tribunais rejeitam
O grito de socorro desse povo que esperou justiça
Enquanto os tribunais apenas tomam decisões
Certa ou errada, agarram na errada
Em troca de milhões e passe livre na cidade
Não há democracia e, se há, é uma mentira
Somos combatentes de uma resistência verdadeira
Essa começou quando o chefe quis a guerra
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
Tarde ou cedo, Moçambique irá se rebelar
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
O povo irá cansar, a presidência invadirá
Haverá justiça, mano, eu juro, haverá
Tarde ou cedo, Moçambique irá se rebelar