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Diante do Infinito

Newton Jayme

Se o infinito é tão grande
Por que cabe num olhar?
Se o tempo apaga os nomes
Por que o teu faz o meu ficar?

Eu não vim te prometer eternidades
Vim te oferecer o agora
Com a coragem de quem sabe
Que o amor também se demora

Quero te conquistar sem pedir destino
Sem jurar que o céu jamais vai cair
Quero ser teu abrigo no desatino
E teu horizonte quando eu partir

Quero aprender o silêncio da tua boca
Ler teus medos sem fazê-los prisão
Ser a chama que, quando a noite é louca
Não te queima, te devolve ao chão

Não quero amor de vitrine ou moldura
Nem palavras polidas para impressionar
Quero a verdade, mesmo quando dura
E a mão que permanece quando tudo mudar

Porque amar não é possuir o caminho
É caminhar sem saber onde dá
É dividir o peso do espinho
E ainda encontrar motivo pra cantar

Quero ser teu par na dança da vida
Não o dono dos passos que você escolher
Quero a tua alma inteira, atrevida
E a minha aprendendo a te compreender

Se o inverno vier sem pedir licença
Nós plantaremos flores no frio
E se o mundo disser que é impossível
Que seja o nosso amor contra o vazio

Eu não te ofereço um amor sem feridas
Ofereço presença quando a dor chegar
Porque duas vidas não são duas promessas
São dois infinitos aprendendo a se encontrar

Há oceanos dormindo em nossas veias
Há tempestades que ninguém vê
Eu não quero te salvar das marés
Quero atravessar algumas com você

Que sejam nossas as manhãs imperfeitas
O café esquecido, a pressa, o suor
As pequenas batalhas desfeitas
Quando um abraço disser
Estou aqui, meu amor

E quando os anos mudarem teu rosto
Quando o espelho cobrar o que o tempo levou
Quero reconhecer, além do desgosto
A mulher que escolhi e que também me escolheu

Se amar é desafiar a finitude
Então deixa que eu desafie contigo
Que o nosso beijo seja uma atitude
Não uma promessa perdida no abrigo

E se houver um Deus contando os segundos
Que ele pare um instante para ver
Dois seres tão pequenos diante dos mundos
Ousando, mesmo assim, permanecer

Quero ser teu par na dança da vida
Quando a música acelerar ou cessar
Quero tua mão, não como saída
Mas, como escolha, para caminhar

Se o inverno vier, eu planto contigo
Se a noite vier, eu acendo o clarão
Se o infinito for nosso inimigo
Eu faço do teu peito a minha revolução

Porque o amor não vence o tempo
Ele encara o tempo e diz eu vou ficar
E entre o primeiro suspiro e o último momento
Se houver um lugar onde eu possa te amar

Que seja aqui
Que seja agora
Que seja nós
Contra a distância
Entre o fim e a aurora

Escrita por: Newton Jayme