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Olhei Teu Rosto

Newton Jayme

Olhei teu rosto
Nada disse
A tarde ficou suspensa no ar
Teu sorriso respondeu por dentro
Como um rio que aprende o mar

Não foi destino
Nem foi acaso
Foi uma porta sem dobradiça
Abrindo espaço entre dois silêncios
Onde a vida perdeu o rumo da pressa

Não éramos metades perdidas
Nem peças de um velho desenho
Éramos duas almas acesas
Reconhecendo o mesmo desejo
E pensamento

Desde aquele instante breve
A solidão fez as malas sem falar
Dois inteiros dividiram o infinito
Sem que um precisasse se anular

Teu piscar me vestiu de horizonte
Me despiu do que era medo e temor
Fez da ausência uma roupa antiga
Fez da espera uma flor

Se o tempo é um carpinteiro cego
Que entorta portas e corrimãos
O amor é madeira de rio
Quanto mais navega, mais cria emoções

E quando a noite fechar as janelas
Que ela encontre luz no que ficou
Porque há encontros que não fazem barulho
Mas mudam para sempre quem os abraçou

Porque amar talvez seja isto
Não salvar, não possuir, não prender
É ver no outro uma alma acesa
Onde também se aprende a viver

E se amanhã o mundo nos dispersa
Em suas ruas de pressa e solidão
Fica o instante em que dois infinitos
Couberam dentro de uma só visão

Porque amar talvez seja isto
Não salvar, não possuir, não prender
É ver no outro uma alma acesa
Onde também se aprende a viver

Escrita por: Newton Jayme