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Décima del Petiço Mitaí

Noel Guarany

Décima do Petiço Mitaí

Nas minhas andanças teatinas de cantor e guitarreiro
Na estância de um riograndense um gaúcho missioneiro
No estado de Mato-Grosso povo bom e hospitaleiro
É costume nessa terra fazer farra e brincadeira
Não deixar nenhum domingo sem correr uma carreira
Essência do meu Rio Grande que ultrapassou as fronteiras

Me perguntou o fazendeiro se eu era carreirista
Se eu só cantava verso ou se só era repentista
Se eu queria conhecero os fletes de Bela Vista
Respondi muito contente cheio de satisfação
Me mostre a tua tropilha que eu te dou definição
Ao me mostrar os parelheiros fui lhe dando explicação

Coisa linda essa tropilhao outra no mundo eu não vi
Sangue, raça, procedência, caderno de pedigree
E um peticinho sem raça que eu batizei Mitaí
Esse petiço pequeno de um metro e pouco de altura
Logo chamava atenção aquela mini-figura
Que a gurizada cuidava pra correr por rapadura

Cantando pelos bolichos escutei um comentário
Que trouxeram de Dourados um petiço adversário
Que correra em todo o Estado e não encontrara contrário
Me apresentaram na cancha o tal petiço monarca
Chegaram alarifeando com gritaria e fuzarca
Sem parelha, sem tamanho não tinha pêlo e nem marca

Nós até damo risada respondendo no momento
Corremos com Mitaí pequeno mas de talento
Tamanho meus companheiros hoje não é documento
Nós atamo a tal carreira e o povo dava risada
Davam luz em qualquer tiro e até dobravam parada
Estendi o pala na cancha e mandei que viesse a indiada

Fui jogando o que eu tinha faca, revólver, violão
Joguei até a minha cordeona que é de minha estimação
Joguei um bom sem boiada, uma porca e dois leitão
Só não joguei minha alma porque eu tenho devoção

Quando gritaram "se vieram" chegou a hora de eu rir
Carreira mais desigual na minha vida eu não vi
Jogou fora o rebenque o jóquei do Mitaí
E os paraguai comentavam "corre, porã ñamembuí"

E assim foi a tal carreira tão discutida e falada
Nós com o dinheiro no bolso e outros de cabeça inchada
Nas patas do Mitaí já tenho uns boi na invernada!

Décima del Petiço Mitaí

En mis andanzas teatinas de cantor y guitarrero
En la estancia de un riograndense un gaucho misionero
En el estado de Mato Grosso, gente buena y hospitalaria
Es costumbre en esta tierra hacer fiesta y diversión
No dejar ningún domingo sin correr una carrera
Esencia de mi Río Grande que traspasó las fronteras

El hacendado me preguntó si era corredor
Si solo cantaba versos o si era repentista
Si quería conocer los fletes de Bela Vista
Respondí muy contento, lleno de satisfacción
Muéstrame tu tropilla y te daré definición
Al mostrarme los parejeros, fui dando explicación

Qué hermosa tropilla, no he visto otra en el mundo
Sangre, raza, procedencia, cuaderno de pedigree
Y un potrillo sin raza al que bauticé Mitaí
Este potrillo pequeño, de un metro y poco de altura
Llamaba la atención, aquella miniatura
Que los chicos cuidaban para correr por rapadura

Cantando por los boliches, escuché un comentario
Trajeron de Dourados un potrillo adversario
Que corrió en todo el Estado y no encontró rival
Me presentaron en la cancha al tal potrillo monarca
Llegaron alborotando con gritos y algarabía
Sin pareja, sin tamaño, no tenía pelo ni marca

Nosotros nos reímos, respondiendo en el momento
Corrimos con Mitaí, pequeño pero talentoso
El tamaño hoy no es documento, mis compañeros
Atamos la carrera y la gente se reía
Daban luz en cualquier tiro y hasta doblaban parada
Extendí el poncho en la cancha y mandé que viniera la indiada

Fui jugando lo que tenía, cuchillo, revólver, guitarra
Jugué hasta mi acordeón, que es de mi aprecio
Jugué un buen sin ganado, una cerda y dos lechones
Solo no jugué mi alma, porque tengo devoción

Cuando gritaron 'se vinieron', llegó la hora de reír
Carrera más desigual en mi vida no vi
El jockey de Mitaí tiró el rebenque
Y los paraguayos comentaban 'corre, porã ñamembuí'

Y así fue la carrera, tan discutida y hablada
Nosotros con el dinero en el bolsillo y otros con la cabeza hinchada
En las patas de Mitaí, ya tengo unos bueyes en la invernada!

Escrita por: Noel Guarany