395px

Recital Para La Puerta De La Cocina

O Cravo

Recital Para A Porta Da Cozinha

Eu quero é ver você despencar
Do octogésimo primeiro andar
Dentro de um balde sem água
Olhar sua roupa manchada de sangue
E perceber sua vulnerabilidade.

Você que sempre me contava estórias de terror
em que o sapo e a princesa terminavam comendo quebra-queixo
no grande final;
hoje limita-se a olhar para o céu à procura de pilhas alcalinas
pro seu aparelho de barbear.

Todos seus gestos
Foram armazenados em minha unha encravada
Não há nada que não saiba sobre você.

Rasga-se o tempo,
Transforma-se o dia em cana da brava
E seu sorriso permanece
Um mórbido buquê.

Duas semanas e meia atrás você me disse
Que os hipopótamos não sabiam plantar bananeira;
E que os hipopótamos não sabiam dançar balé.

Tudo mentira

Recital Para La Puerta De La Cocina

Lo que quiero es verte caer
Del octogésimo primer piso
Dentro de un balde sin agua
Ver tu ropa manchada de sangre
Y darme cuenta de tu vulnerabilidad.

Tú que siempre me contabas historias de terror
Donde la rana y la princesa terminaban comiendo dulce de leche
en el gran final;
hoy te limitas a mirar al cielo en busca de pilas alcalinas
para tu máquina de afeitar.

Todos tus gestos
Han sido almacenados en mi uña encarnada
No hay nada que no sepa de ti.

El tiempo se desgarra,
El día se convierte en caña brava
Y tu sonrisa permanece
Como un mórbido ramo de flores.

Hace dos semanas y media me dijiste
Que los hipopótamos no sabían hacer la vertical;
y que los hipopótamos no sabían bailar ballet.

Todo mentira

Escrita por: Sergio Salles