Andarilho
Ele ia assim
De olhar distante
E as trouxas voando, assim
Por sobre os ombros
E o finado novo amor
Que nem verão durou...
Não vai chorar
Só pra não desdenhar
A vida que adotou
Raiz que um dia desterrou
Vai se perder
Nas veias do sertão
Sem freio e contra mão
Se água vir pintar, por aí
Vai beber e festejar
Os pedaços de lembrança
Que vão lá
Rasgando o peito
E quando o sol não nascer
E a morte amanhecer
O andarilho...
Andarilho
Él iba así
Con la mirada perdida
Y las bolsas volando, así
Sobre los hombros
Y el difunto nuevo amor
Que ni siquiera duró una temporada...
No va a llorar
Solo para no menospreciar
La vida que adoptó
Raíz que un día desterró
Se perderá
En las venas del sertón
Sin freno y en sentido contrario
Si aparece agua por ahí
Va a beber y festejar
Los pedazos de recuerdos
Que van allá
Desgarrando el pecho
Y cuando el sol no salga
Y la muerte amanezca
El andarilho...
Escrita por: Euripedes Neto