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Morro Dois Irmãos

Olívia Hime

Morro Dois Irmãos

Dois irmãos, quando vai alta a madrugada
E a teus pés vão-se encostar os intrumentos
Aprendi a respeitar tua prumada
E desconfiar do teu silêncio

Penso ouvir a pulsação atravessada
Do que foi e o que será noutra existência
É assim como se a rocha dilatada
Fosse uma concentração de tempos

É assim como se o ritmo do nada
Fosse, sim, todos os ritmos por dentro
Ou, então, como um música parada
Sobre um montanha em movimento

Morro Dois Irmãos

Dos hermanos, cuando la madrugada está en su punto más alto
Y a tus pies se apoyan los instrumentos
Aprendí a respetar tu verticalidad
Y desconfiar de tu silencio

Siento escuchar el latido atravesado
De lo que fue y lo que será en otra existencia
Es como si la roca dilatada
Fuera una concentración de tiempos

Es como si el ritmo de la nada
Fuera, sí, todos los ritmos por dentro
O, entonces, como una música detenida
Sobre una montaña en movimiento

Escrita por: Chico Buarque