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Brasa

Orlando Silva

Braza

Você parece uma brasa
Toda vez que eu chego em casa
Dá-se logo uma explosão
Ciúmes de mim, não acredito
Pois, meu bem, não é com grito
Que se prende um coração

Desculpe a minha pergunta
Mas quem tanta asneira junta
Lhe ensinou a falar
Seu professor bem podia
Ensinar que não devia
Desse modo me tratar

Se, às vezes, você chora
Quando eu passo as noites fora
Não venho em casa almoçar
É que as mulheres da rua
Têm a alma melhor que a sua
Sabem melhor me agradar

E se, às vezes, eu me demoro
É diminuindo a hora
Para com você estar
Se apagasse esta brasa
Eu não sairia de casa
Dia e noite a lhe adorar

Brasa

Tú pareces una brasa
Cada vez que llego a casa
Se arma una explosión
Celos de mí, no lo creo
Porque, mi amor, no es con gritos
Que se atrapa un corazón

Perdona mi pregunta
Pero, ¿quién juntó tanta tontería
Para enseñarte a hablar?
Tu profesor bien podría
Enseñarte que no debía
Tratarme de esa forma

Si a veces tú lloras
Cuando paso las noches fuera
No vengo a casa a almorzar
Es que las mujeres de la calle
Tienen un alma mejor que la tuya
Saben mejor cómo agradar

Y si a veces me demoro
Es para acortar la hora
Y estar contigo
Si apagara esta brasa
No saldría de casa
Día y noche adorándote

Escrita por: Lupicínio Rodrigues, Felisberto Martins