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Jura de Cabocla

Orlando Silva

Numa festa de dezembro
No Natal, ainda me lembro
Tava tudo [?] a me esperar

E Teresa, uma caboca
Que andava de boca em boca
Me pediu pra eu cantar

Quando a viola calou-se
A jurar, num beijo doce
Ela disse: Eu vortarei

E eu atrás dessa marvada
Fui de quebrada em quebrada
E nunca mais a encontrei

Companheira viola
Que acompanha o que eu disser
Viola não é como a gente
Que crê em jura de mulher

Companheira é a viola
Que acompanha o que eu disser
Viola não é como a gente
Que crê em jura de mulher

Pra maior [?] o meu tormento
Me levaram a um casamento
Onde eu tinha de cantar

Cheguei lá, quanta tristeza
Era a caboca Teresa
Que acabava de casar

Ela estava tão bonita
Toda enfeitada de fita
Que eu da jura me alembrei

De tanta, mas tanta mágoa
Meus óio se encheram dágua
E invés de cantar, chorei

Companheira viola
Que acompanha o que eu disser
Viola não é como a gente
Que crê em jura de mulher

Companheira viola
Que acompanha o que eu disser
Viola não é como a gente
Que crê em jura de mulher

Escrita por: Cândido das Neves (Índio)