Desculpe
Desculpem se não lhe agrada
Minha estampa de índio vago
Eu trago dentro do peito
Toda glória do meu pago
Sou quero-quero monarca
Defensor desta querência
Eu tenho o cheiro da terra
Perfumando minha existência
Desculpem deste meu jeito
Meio quieto e desconfiado
Não sou de pegar com a mão
Pra chegar eu tenho lado
Não brinco com marimbondo
Nem patuo com carancho
Não danço em baile de cobra
Não abro porta de rancho
Desculpem de minha tenência
De gaúcho cantador
Eu só canto nos meus versos
O que é nosso e tem valor
Não me troco por promessas
Nem bajulo figurão
Eu venho de sangue farrapo
Forjado na tradição
Desculpem de minha fama
O que dizem por aí
Eu sou do jeito que sou
Me criei como nasci
Eu sou a sombra do pago
Em qualquer lugar que eu ande
Eu sou a força da raça
Crioula do meu Rio Grande
Disculpa
Disculpen si no les agrada
Mi aspecto de indio vagabundo
Llevo dentro del pecho
Toda la gloria de mi tierra
Soy tero monarca
Defensor de esta tierra
Tengo el olor a tierra
Perfumando mi existencia
Disculpen este mi modo
Medio callado y desconfiado
No soy de agarrar con la mano
Para llegar tengo un rumbo
No juego con avispas
Ni peleo con caranchos
No bailo en bailes de serpientes
No abro puertas de ranchos
Disculpen mi manera
De gaucho cantor
Solo canto en mis versos
Lo nuestro y valioso
No me cambio por promesas
Ni halago a los poderosos
Vengo de sangre gaucha
Forjado en la tradición
Disculpen mi reputación
Lo que dicen por ahí
Soy como soy
Me crié como nací
Soy la sombra de mi tierra
Donde quiera que vaya
Soy la fuerza de la raza
Criolla de mi Rio Grande