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Estaca Zero

Os Milongueiros

Estaca Zero

Talvez eu jamais esqueça tudo o que me aconteceu
Quem apanhou neste mundo não esquece quem bateu
Na vida apanhei demais, ai meu Deus quanto doeu
Apanhei mesmo que Cristo, mesmo assim eu não desisto
De lutar pelo que é meu

Andei vagando sozinho neste mundo de ilusão
Fui mesmo que peão caseiro depois que morre o patrão
Apanhei da própria sorte mas cheguei a conclusão
Vence a luta quem apanha pois a briga é sempre ganha
Pra aquele que tem razão

E apanhando deste jeito foi que aprendi a bater
Aprendi chegar na frente sem ser preciso correr
Aprendi que o ganhador é o que sabe perder
Encontrei o meu caminho, batendo neste meu pinho
Fiz minha fama crescer

E depois que consegui mostrar que tenho valor
Até quem me desprezava me trata com mais calor
E quem me atirava pedra agora me atira flor
Saí da estaca zero, encontrei tudo que quero
Na vida de cantador

Estaca Zero

Tal vez jamás olvide todo lo que me sucedió
Quien recibió golpes en este mundo no olvida quién los dio
En la vida recibí demasiados golpes, ay Dios mío, cuánto dolió
Recibí golpes como Cristo, aún así no me rindo
Por luchar por lo que es mío

Anduve vagando solo en este mundo de ilusión
Fui como un peón doméstico después de que muere el patrón
Recibí de la propia suerte pero llegué a la conclusión
Quien recibe golpes vence, pues la pelea siempre se gana
Para aquel que tiene razón

Y recibiendo de esta manera fue que aprendí a golpear
Aprendí a llegar primero sin necesidad de correr
Aprendí que el ganador es quien sabe perder
Encontré mi camino, golpeando en mi guitarra
Hice crecer mi fama

Y después de demostrar que tengo valor
Hasta quienes me menospreciaban me tratan con más calidez
Y quienes me arrojaban piedras ahora me arrojan flores
Salí de la estaca cero, encontré todo lo que quiero
En la vida de cantor

Escrita por: Jorge Fagundes / Velho Milongueiro