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Oratório

Otacílio Melgaço

Oratório

Museu-de-tudo e então eu vejo
O engenho do mundo que sobejo
Semente do dilúvio à deriva
Invade a memória enlouquecida

Minas: Cantochão de barro, oca iguaria
Hóstia consagrada ao profano
Que seria útero que encerra áurea era
Cantoria envereda, silencia

Outra terceira almargem romanceira
Oratório da imagem traiçoeira
Imagem-nação, sagarana-teia, pecado da ilusão
Insana ceia (santa, santa)

Minas: Cantochão de barroca iguaria
Hóstia consagrada ao profano que seria
Útero que encerra áurea era
Cantoria envereda, silencia

In-confidencia a dor de ser vários
O corpo em carne viva nos calvários
A as minas do silêncio-da-terra de-cantam
O destino que lhes resta

Oratório

Museo-de-todo y entonces veo
La maquinaria del mundo que sobra.
Semilla del diluvio a la deriva
Inunda la memoria enloquecida...
Minas: canto de barro, hueca delicia,
Hostia consagrada a lo profano
Que sería útero que encierra era dorada...
Canturreo se desvía, se silencia...
Otra tercera ribera romántica,
Oratorio de la imagen traicionera.
Imagen-nación, telaraña sagrada, pecado de la ilusión:
Insana cena (santa, santa...)
Minas: canto de barroca delicia,
Hostia consagrada a lo profano que sería...
Útero que encierra era dorada...
Canturreo se desvía, se silencia...
In-confidencia el dolor de ser varios,
El cuerpo en carne viva en los calvarios...
Y las minas del silencio-de-la-tierra cantan
El destino que les queda...

Escrita por: Otacílio Melgaço