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Memorias Matrimoniales

Paulinho da Viola

Memórias Conjugais

Lapidar
Foi a sua frase
Proferida de um jeito natural
Registrei esta preciosidade
Sem alarde
No meu livro de memórias conjugais
-"Tenho asas, meu amor, preciso abri-las
Ao seu lado não sou muito criativa"
Depois dessa
Fui em busca do meu antidepressivo
E afundei
No sofá com meus jornais

Minha cara no espelho já diz tudo
Desconfio de um carma secular
Pelo jeito, eu também sou um embrulho
Mas eu juro, deste muro
Amanhã vou me jogar

Resolvi
Vou tomar uma providência
Pra começar, lá no bar do seu José
Para ver
Se exorcizo este domingo - céu nublado
E esta mala
Que não larga do meu pé

Memorias Matrimoniales

Esculpir
Fue tu frase
Dicha de manera natural
Registre esta joya
Sin alarde
En mi libro de memorias matrimoniales
-'Tengo alas, mi amor, necesito abrirlas
A tu lado no soy muy creativa'
Después de eso
Fui en busca de mi antidepresivo
Y me hundí
En el sofá con mis periódicos

Mi rostro en el espejo lo dice todo
Sospecho de un karma secular
Por lo visto, también soy un paquete
Pero juro, de este muro
Mañana me lanzaré

Decidí
Tomar una medida
Para empezar, en el bar de don José
Para ver
Si exorcizo este domingo - cielo nublado
Y esta maleta
Que no suelta mi pie

Escrita por: Paulinho da Viola