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Espejo cristalino

Paulinho Leite

Espelho cristalino

Essa rua sem céu sem horizontes
foi um rio de águas cristalinas
serra verde molhada de neblina
olho d'água sangrava numa fonte
meu anel cravejado de brilhantes
são os olhos do capitão corisco
e é a luz que incendeia meu ofício
nessa selva de aço de antenas
beija-flor tô chorando suas penas
derretidas na incensa tez do asfalto
Eu tenho meu espelho cristalino
que uma baiana me mandou de maceió
olha ele têm uma luz que alumia
ao meio dia clareia a luz do sol
Que me dá o veneno da coragem
pra girar nesse imenso carrossel
flutuar e ser gás paralisante
e saber que a cidade é de papel
ter a luz do passado e do presente
viajar pelas veredas do céu
pra colher três estrelas cintilantes
e pregar nas abas do meu chapéu
vou clarear o metrô do horizonte
é tão brilhante a pedra do meu anel

Espejo cristalino

Esta calle sin cielo ni horizontes
fue un río de aguas cristalinas
sierra verde mojada de neblina
manantial sangraba en un ojo de agua
mi anillo incrustado de brillantes
son los ojos del capitán corisco
y es la luz que incendia mi oficio
en esta selva de acero y antenas
colibrí, estoy llorando tus penas
derretidas en la incensada piel del asfalto
Tengo mi espejo cristalino
que una bahiana me envió desde Maceió
mira, tiene una luz que ilumina
al mediodía aclara la luz del sol
Que me da el veneno del coraje
para girar en este inmenso carrusel
flotar y ser gas paralizante
y saber que la ciudad es de papel
tener la luz del pasado y del presente
viajar por los senderos del cielo
para recoger tres estrellas brillantes
y clavarlas en las alas de mi sombrero
voy a iluminar el metro del horizonte
es tan brillante la piedra de mi anillo

Escrita por: Alçeu Valença