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Devias Vir Salvar-me

Pedro Abrunhosa

Devias vir salvar-me
Em vez de fios de ouro fogo
Trazeres um mundo novo ao peito

Devia levar-te a Saturno
Mostrar-te que a palavra longe
Só existe quando estamos perto

Devias morrer nos meus olhos
E amanhã, nascer outra vez

Devias morar no meu peito
Fazer altar ao imperfeito
Rezar quando fizeres amor

Devias vir roubar-me o medo
Fingirmos uma valsa a sério
Dançarmos pelo quarto escuro

Devias morrer nos meus braços
E amanhã, nascer outra vez

Vem salvar-me de mim
Do fogo, do beiral
Protege-me num beijo
De luz, contra o vitral

E há gritos de aleluia
Há espadas de cristal
Vem salvar-me de mim
Amor, num salto imortal

Devias ter palavras loucas
Palavras que não estão escritas
Que se quebram quando são faladas

Devia levar-te ao deserto
Chamar por todas as estrelas
E dizer: Aqui, a mais bela

Devias morrer nos meus sonhos
E amanhã, nascer outra vez

Vem salvar-me de mim
Do fogo, do beiral
Protege-me num beijo
De luz, contra o vitral

E há gritos de aleluia
Há espadas de cristal
Vem salvar-me de mim
Amor, num salto imortal

Devias morrer nos meus sonhos
E amanhã, nascer outra vez
Devias morrer nos meus braços
E amanhã, nascer outra vez
Devias morrer nos meus olhos
E amanhã, nascer outra vez

Escrita por: Pedro Abrunhosa