Coxinilho
Enquanto eu viajava pelo sertão afora
O meu amor ficava em casa a preparar
Um novo coxinilho para a próxima viagem
Dormindo sobre ele como era bom sonhar
Com fios de algodão por meu amor trançado
Meu novo coxinilho ficava bem macio
Para ser a minha cama a sombra de um coqueiro
No chão de alguma estrada a beira de algum rio
Coxinilho, meu leito de algodão
Coxinilho, venha forrar meu chão
Me lembro de uma vez dormindo sobre ele
Na confusão de um sonho eu me senti um rei
Com toda a criadagem rodeando o meu castelo
Eu vi que era verdade na hora que acordei
Eu era o rei da estrada e via nas alturas
O exército de estrelas por sobre mim marchar
Seus raios pareciam milhares de soldados
Batendo continência na praça do luar
Coxinilho, meu leito de algodão
Coxinilho, venha forrar meu chão
De um simples boiadeiro ao dono de um império
Não existe diferença se a gente pensar bem
O rei dá a suas ordem igual a um boiadeiro
Que ao som de um berranteiro as ordens dá também
Depois de uma noitada dobrava o coxinilho
Por sobre o meu arreio saía no estradão
Atrás de uma boiada cantando ia embora
Sentindo nessa hora ser o rei do sertão
Coxinilho, meu leito de algodão
Coxinilho, venha forrar meu chão
Coxinilho
Mientras viajaba por el sertão
Mi amor se quedaba en casa preparando
Un nuevo coxinilho para el próximo viaje
Durmiendo sobre él, qué bueno era soñar
Con hilos de algodón trenzados por mi amor
Mi nuevo coxinilho quedaba bien suave
Para ser mi cama a la sombra de una palmera
En el suelo de algún camino junto a algún río
Coxinilho, mi lecho de algodón
Coxinilho, ven a cubrir mi suelo
Recuerdo una vez durmiendo sobre él
En la confusión de un sueño me sentí rey
Con toda la servidumbre rodeando mi castillo
Vi que era verdad cuando desperté
Era el rey del camino y veía en las alturas
El ejército de estrellas marchar sobre mí
Sus rayos parecían miles de soldados
Rindiendo homenaje en la plaza de la luna
Coxinilho, mi lecho de algodón
Coxinilho, ven a cubrir mi suelo
Desde un simple vaquero hasta el dueño de un imperio
No hay diferencia si lo pensamos bien
El rey da sus órdenes igual que un vaquero
Que al sonar de un berrante también da órdenes
Después de una noche doblaba el coxinilho
Sobre mi montura salía al camino
Tras un ganado cantando se iba lejos
Sintiendo en ese momento ser el rey del sertão
Coxinilho, mi lecho de algodón
Coxinilho, ven a cubrir mi suelo