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Bola Murcha

Perímetro Urbano

Bola Murcha

Foi injustiçado, ficou no banco sentado
Vendo seu time massacrado e humilhado
Só por culpa da falha do Morgado
Que tava no time só porque era delegado

O dito cujo além de duro de cintura
Tocava o horror dentro de uma viatura
Numa jogada, vai não vai, fura não fura
Caiu sentado numa entrada prematura
E mesmo assim ficou em campo, descarado cara dura

Mas justiça sempre vem, tarda, não falha
O Sabará sacou da meia uma navalha
E disse assim, senta no banco, seu canalha
Você jogando de beque só atrapalha

Eu como beque, sou um beque de respeito
Não admito que ninguém bote defeito
Bola cruzada controlo ela no peito
Dou um sorriso e despacho com o pé direito
Não me interessa se você é delegado ou se é prefeito!

Maldita hora em que falou essa besteira
Em dois minutos chegou uma tropa inteira
Dando paulada da maneira costumeira
Mandaram o pobre Sabará pra geladeira

Naquela noite, ele foi interrogado
Pois acabou por ofender o delegado
Que era homem muito honesto e bem honrado
Não estava ali a fim de ser desrespeitado
Você é um sujeito cafajeste, desordeiro e malcriado!

Por muitos anos, Sabará ficou na gruta
Foi liberado por sua boa conduta
E hoje em dia sua voz ninguém escuta
Tirou o corpo e caiu fora da disputa

E assim termina a história de um zagueiro
Só porque ele resolveu não ser cordeiro
Falou bem alto o que pensava o time inteiro
Levou porrada, hoje em dia anda maneiro
Ele, que nunca foi bandido, se tornou um cavalheiro

É minha gente, a justiça tarda, mas não falha
O Morgado achou que ia ser escalado na base da truculência
Assim não, hem!

Bola Murcha

Fue injusticiado, quedó sentado en el banco
Viendo a su equipo masacrado y humillado
Solo por culpa de la falla del Morgado
Que estaba en el equipo solo porque era delegado

El tipo ese, además de ser un torpe
Hacía el ridículo dentro de una patrulla
En una jugada, va, no va, fura, no fura
Cayó sentado en una entrada prematura
Y aun así se quedó en el campo, descarado, cara dura

Pero la justicia siempre llega, tarda, no falla
El Sabará sacó de la media una navaja
Y dijo así, siéntate en el banco, canalla
Tú jugando de defensa solo estorbas

Yo como defensa, soy un defensa de respeto
No admito que nadie le ponga defectos
Bola cruzada la controlo con el pecho
Sonrío y despacho con el pie derecho
No me importa si eres delegado o si eres alcalde!

Maldita hora en que dijo esa tontería
En dos minutos llegó una tropa entera
Dando golpes de la manera habitual
Mandaron al pobre Sabará a la nevera

Esa noche, lo interrogaron
Porque terminó ofendiendo al delegado
Que era un hombre muy honesto y bien honrado
No estaba ahí para ser desrespetado
¡Eres un sujeto cafre, desordenado y malcriado!

Por muchos años, Sabará estuvo en la cueva
Fue liberado por su buena conducta
Y hoy en día su voz nadie escucha
Se retiró y salió de la disputa

Y así termina la historia de un defensor
Solo porque decidió no ser un cordero
Dijo en voz alta lo que pensaba el equipo entero
Recibió golpes, hoy en día anda tranquilo
Él, que nunca fue un criminal, se volvió un caballero

Es mi gente, la justicia tarda, pero no falla
El Morgado pensó que iba a ser convocado a la fuerza
¡Así no, eh!

Escrita por: Ailton Amalfi, Alberto Gaspar