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Con los pies firmes en el suelo

Pirisca Grecco

Com Os Pés Fincados No Chão

Prisioneiro do silêncio, assim nasceu Inocêncio
Sem alma e sem coração
Nem sabe ao certo o que espera de braço aberto
Seu interior é deserto, e os pés fincados no chão

Em seu açoite, esquecido dia e noite
Condenado à solidão
Sofre calado, cabisbaixo, ensimesmado
Chapéu e poncho surrado e os pés fincados no chão

(Velho Inocêncio, Inocêncio velho,
Teu vazio já não espanta
Velho Inocêncio, Inocêncio velho,
Só se colhe o que se planta)

Por toda vida o tempo lhe deu guarida,
Cultivando a plantação
Cara judiada, dois olhos de ver o nada,
Vai cumprindo sua jornada, e os pés fincados no chão

Seu sobrenome com a quietude se consome,
Junto às horas de trabalho
Nem sabe ao certo, o que espera de braço aberto
Seu interior é deserto por ter nascido espantalho

(Velho Inocêncio, Inocêncio velho,
Teu vazio já não espanta
Velho Inocêncio, Inocêncio velho,
Só se colhe o que se planta)

Con los pies firmes en el suelo

Prisionero del silencio, así nació Inocêncio
Sin alma y sin corazón
No sabe con certeza qué espera con los brazos abiertos
Su interior es un desierto, y los pies firmes en el suelo

En su tormento, olvidado día y noche
Condenado a la soledad
Sufre en silencio, cabizbajo, ensimismado
Sombrero y poncho desgastados y los pies firmes en el suelo

(Viejo Inocêncio, Inocêncio viejo,
Tu vacío ya no sorprende
Viejo Inocêncio, Inocêncio viejo,
Solo se cosecha lo que se siembra)

Por toda la vida el tiempo le dio refugio,
Cultivando la plantación
Rostro maltratado, dos ojos viendo la nada,
Va cumpliendo su jornada, y los pies firmes en el suelo

Su apellido se consume con la quietud,
Junto a las horas de trabajo
No sabe con certeza qué espera con los brazos abiertos
Su interior es un desierto por haber nacido espantapájaros

(Viejo Inocêncio, Inocêncio viejo,
Tu vacío ya no sorprende
Viejo Inocêncio, Inocêncio viejo,
Solo se cosecha lo que se siembra)

Escrita por: Pirisca Grecco / Ricardo Martins / Zeca Alves