Tanto nó pra desatar
Um rio cheio de pedras e pedaços de madeira
Que só você pode limpar
Uns colares embolados na gaveta
E, enfim, a paciência de botar no chão
Catar a ponta sem pressa, limar a inércia que nos impede de desenrolar
Se, no meio do caminho, algo te tira dele
A gente joga novamente pra debaixo do tapete
Da próxima vez, pra recomeçar
Vai ter que voltar e tentar tudo de novo
Pior que cair é nem tentar andar
Pior que cair é nem tentar andar
Que bênção, poesia pra nos expressar
Às vezes quebra e não dá pra juntar
Cacos incontáveis, impossíveis de colar
A anatomia que se recusa a encaixar
Um gesto vazio, desprovido de sentido, esvaziando sentimento
Corroído pelo tempo, pelo cansaço, pela vida real
A dignidade de encarar que é necessário mudar de lugar
Movimentar sem ter medo de caminhar
Confiar que, debaixo do próximo passo
O pé vai o chão alcançar, como uma criança aprendendo a andar
Se apoia, arrisca, cai pra levantar
E tentar tudo de novo
Pior que cair é nem tentar andar
Pior que cair (pior que cair) é nem tentar andar (nem tentar andar)
Pior que cair é nem tentar andar
Que bênção, poesia pra nos expressar