395px

Naive

Pixinguinha

Ingênuo

Eu fui ingênuo quando acreditei no amor
Mas, pelo menos jamais me entreguei à dor...
Chorei o meu choro primeiro
Eu chorei por inteiro pra não mais chorar
E o meu coração permaneceu sereno
Expulsando o veneno pelo meu olhar...
... eu procurei me manter como Deus mandou
Sem me vingar que a vingança não tem valor
E depois também perdoar a quem erra
É ser perdoado na Terra
Sem ter que pedir perdão no céu.
Eu não quis resolver
Eu não quis recusar
Mas do amor em ruína, uma força termina
Por nos dominar e depois proteger
Dos abismos que a vida traçar
Quando o tempo virar o único mal
E a solidão começa a ser fatal...
Eu não quis refletir, não
Eu não quis recuar, não
Eu não quis reprimir, não
Eu não quis recear...
Porque contra o bem nada fiz
E eu só quero algum dia
Ser feliz como eu sou infeliz...

Naive

I was naive when I believed in love
But at least I never gave in to pain...
I cried my tears first
I cried completely so I wouldn't cry anymore
And my heart remained serene
Expelling the poison through my gaze...
... I tried to stay as God commanded
Without seeking revenge as revenge has no value
And then also forgive those who err
To be forgiven on Earth
Without having to ask for forgiveness in heaven.
I didn't want to resolve
I didn't want to refuse
But from love in ruins, a force ends
By dominating us and then protecting
From the abysses that life draws
When time turns into the only evil
And loneliness begins to be fatal...
I didn't want to reflect, no
I didn't want to retreat, no
I didn't want to repress, no
I didn't want to fear...
Because I did nothing against good
And I just want someday
To be happy as I am unhappy...

Escrita por: Paulo César Pinheiro / Benedito Lacerda / Pixinguinha