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Abandono

Rafael Altério

Abandono

Quem é você que já chegou varrendo a casa
Molhando as plantas ressecadas, ressentidas
Foi pondo a mesa tão bonita e arrumada
Desfez as malas, se instalou na minha vida

E sem licença todo dia me devassa
Depois se entrega, me descobre, me intriga
Fala do mundo, dos amores... Tudo passa
E me conforta quando eu chego, então me diga

Dorme
Pode até me arrancar o cobertor
Diz meu nome, diz que eu sou seu amor
E ao amanhecer, é meu despertador
Me acorda, me chama
Me toca e me ama

Quem é você, nem bem chegou e bateu asas
Fechou a casa, retirou a minha mesa
Refez as malas e saiu da minha vida
Bateu a porta e disse: - Adeus, me esqueça

E quem sou eu pra suportar tal abandono
Acostumado a ser tratado como um rei
Fiquei de um jeito, tô igual a um cão sem dono
O que é que eu faço, então me diga que eu não sei

Abandono

¿Quién eres tú que llegaste barriendo la casa
Regando las plantas resecas, resentidas
Poniendo la mesa tan bonita y arreglada
Desempacando, instalándote en mi vida

Y sin permiso cada día me escudriñas
Luego te entregas, me descubres, me intrigas
Hablas del mundo, de los amores... Todo pasa
Y me reconfortas cuando llego, entonces dime

Duerme
Incluso puedes quitarme la cobija
Di mi nombre, di que soy tu amor
Y al amanecer, eres mi despertador
Me despiertas, me llamas
Me tocas y me amas

¿Quién eres tú, apenas llegaste y te fuiste volando
Cerraste la casa, quitaste mi mesa
Hiciste las maletas y saliste de mi vida
Cerraste la puerta y dijiste: - Adiós, olvídame

Y quién soy yo para soportar tal abandono
Acostumbrado a ser tratado como un rey
Quedé de una manera, estoy como un perro sin dueño
¿Qué hago entonces, dime que no sé

Escrita por: Rita Alterio, Rafael Alterio