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Planos de Papel

Raul Seixas

Planos de Papel

Deus, eu passo os sete dias úteis
Traçando nove dias fúteis
Fazendo planos de papel
Em quartos cinzas de aluguel
E vou dormir
Entre as paredes do hotel do sossego
Meu amor

Sim, no contracanto do meu leito
Guardo um punhal cravado ao peito
Tingindo a cama e o lençol
Por uma fresta me invade o Sol
E eu vou deitar
Entre as palmeiras desenhadas nos jornais
Meu amor

Ah, mas que você espera de mim?
Que o consumado eu vá repetir, não

Não, o que me importa nesse instante
É esse não importar constante
É esse sorriso que eu guardei
Nessa gaveta a qual fechei
Pra mim dormir
Com a cabeça no lugar que eu deixei
Meu amor

Planos de Papel

Dios, paso los siete días hábiles
Trazando nueve días inútiles
Haciendo planes de papel
En cuartos grises de alquiler
Y voy a dormir
Entre las paredes del hotel del sosiego
Mi amor

Sí, en el contracanto de mi lecho
Guardo un puñal clavado al pecho
Tiñendo la cama y el colchón
Por una rendija me invade el Sol
Y me voy a acostar
Entre las palmeras dibujadas en los periódicos
Mi amor

Ah, ¿pero qué esperas de mí?
¿Que repita lo consumado, no?

No, lo que me importa en este instante
Es ese no importar constante
Es esa sonrisa que guardé
En ese cajón que cerré
Para poder dormir
Con la cabeza en el lugar que dejé
Mi amor

Escrita por: Raul Seixas