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Superhéroes

Raul Seixas

Super-Heróis

Hoje é segunda-feira e decretamos feriado
Chamei Dom Paulo Coelho e saímos lado e lado
Lá na esquina da Augusta quando cruza com a Ouvidor
Não é que eu vi o Sílvio Santos
Não é que eu vi o Sílvio Santos
Sorrindo aquele riso franco e puro
Para um filme de terror

Como é que eu posso ler
Se eu não consigo concentrar minha atenção
Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho
É a seleção
(Vê se tem Kung Fu aí na outra estação)

Já na outra esquina
Dei três vivas ao rei Faiçal
O povo confundiu pensando que era o carnaval
Então eu disse a Dom Paulete: Eu conheço aquele ali
Não é possível, Dom Raulzito
Não é possível, Dom Raulzito
Quem é que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez?

Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez
Corri para um cantinho pra dali sacar o lance de mansinho
(Adivinha quem era? Mequinho!)

Lá em Nova York todo mundo é feliz
Vi o Marlon dançando o último tango de Paris
Pedi cerveja e convenci ao garçom do botequim
A não pagar o tal do casco
Ele aceitou, pois sou um astro!

E duma cobertura no Leblon
Quelé acena dando aquela
Enquanto o povo embaixo grita
É o Rei! Quelé despenca da janela
É quando, a 120, o Fittipaldi passa e quem ele atropela
(Meu Deus! Mequinho no chão e mais três velas)

Vamos dar viva aos grandes heróis
Vamos em frente, bravos cowboys
Avante! Avante! Super-Heróis
Ai-oh Silver!
Shazam
Kansas City, here I come

Superhéroes

Hoy es lunes y decretamos feriado
Llamé a Don Paulo Coelho y salimos lado a lado
Ahí en la esquina de la Augusta cuando cruza con la Ouvidor
No es que vi a Silvio Santos
No es que vi a Silvio Santos
Sonriendo con esa risa franca y pura
Para una película de terror

¿Cómo puedo leer
Si no puedo concentrar mi atención?
Si lo que me preocupa en el baño o en el trabajo
Es la selección
(Ve si hay Kung Fu en la otra estación)

Ya en la otra esquina
Di tres vítores al rey Faisal
La gente se confundió pensando que era el carnaval
Entonces le dije a Don Paulete: Yo conozco a ese de ahí
No es posible, Don Raulito
No es posible, Don Raulito
¿Quién en Brasil no reconoce el gran as del ajedrez?

Salí por la tangente disfrazando una posible estupidez
Corrí a un rinconcito para sacar el lance de a poquito
(Adivina quién era? ¡Mequinho!)

Allá en Nueva York todo el mundo es feliz
Vi a Marlon bailando el último tango en París
Pedí cerveza y convencí al mesero del bar
A no cobrar el famoso casco
¡Él aceptó, porque soy una estrella!

Y desde un penthouse en Leblon
Quelé saluda dando esa
Mientras la gente abajo grita
¡Es el Rey! Quelé se asoma por la ventana
Es cuando, a 120, pasa Fittipaldi y a quién atropella
(¡Dios mío! ¡Mequinho en el suelo y tres velas más!)

Vamos a vitorear a los grandes héroes
Sigamos adelante, valientes vaqueros
¡Avante! ¡Avante! Superhéroes
¡Ay-oh Silver!
¡Shazam!
Kansas City, allá voy!

Escrita por: Paulo Coelho / Raul Seixas