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Es Fin de Mes

Raul Seixas

É Fim De Mês

É fim do mês, é fim do mês
É fim do mês (é), é fim do mês (é)

Eu já paguei a conta do meu telefone
Eu já paguei por eu falar eu já paguei por eu ouvir
Eu já paguei a luz, o gás, o apartamento
Kitnet de um quarto que eu comprei a prestação
Pela caixa federal, au, au, au
Eu não sou cachorro não (não, não, não)
(Eu liquidei, eu liquidei)
Eu liquidei a prestação do paletó, do meu sapato, da camisa
Que eu comprei pra domingar com o meu amor
Lá no Cristo, lá no Cristo redentor
Ela gostou (oh) e mergulhou (oh)
E o fim do mês vem outra vez
(E o fim do mês vem outra vez)

Eu já paguei o peg-pag, meu pecado
Mais a conta do rosário que eu comprei pra mim rezar (Ave Maria)
Eu também sou filho de Deus
Se eu não rezar eu não vou pro céu (céu, céu, céu)
Eh, Já fui pantera, já fui hippie, beatnik
Tinha o símbolo da paz dependurado no pescoço
Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação (vai lá)
Já fui católico, budista, protestante
Tenho livros na estante, todos têm a explicação
Mas não achei, mas procurei
Pra você ver que eu procurei
Eu procurei fumar cigarro Hollywood
Que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso
Eu sou sucesso (eu sou sucesso)
No posto Esso encho o tanque do carrinho
Bebo em troca meu cafezinho, que é cortesia da matriz
There's a Tiger no chassis

Do fim de mês já sou freguês
Do fim de mês eu já sou freguês
Eu já paguei o meu pecado na capela
Sob a luz de sete velas que eu comprei pro meu Senhor do Bonfim, olha por mim

Tô terminando a prestação do meu buraco
Meu lugar no cemitério pra não me preocupar
De não mais ter onde morrer
Ainda bem que no mês que vem
Posso morrer, já tenho o meu tumbão, o meu tumbão

Eu consultei, e acreditei, no velho papo do tal do psiquiatra
Que te ensina como é que você vive alegremente
Acomodado e conformado de pagar tudo calado
Ser bancário ou empregado sem jamais se aborrecer

Ele só quer, só pensa em adaptar
Na profissão seu dever é adaptar
Ele só quer, só pensa em adaptar
Na profissão seu dever é adaptar

Eu já paguei a prestação da geladeira
Do açougue fedorento que me vende carne podre
Que eu tenho que comer
Que engolir sem vomitar
Quando às vezes desconfio
Se é gato, jegue ou mula
Aquele talho de acém que eu comprei pra minha patroa
Pra ela não, não, não me apoquentar

É fim do mês, é fim do mês, é fim do mês
É fim do mês, é fim do mês

Es Fin de Mes

Es fin de mes, es fin de mes
Es fin de mes (sí), es fin de mes (sí)

Ya pagué la cuenta de mi teléfono
Ya pagué por hablar, ya pagué por escuchar
Ya pagué la luz, el gas, el departamento
Un estudio de un cuarto que compré a plazos
Por la caja federal, au, au, au
No soy un perro (no, no, no)
(Ya liquidé, ya liquidé)
Ya liquidé la cuota del saco, de mis zapatos, de la camisa
Que compré para salir con mi amor
Allá en el Cristo, allá en el Cristo Redentor
A ella le gustó (oh) y se zambulló (oh)
Y el fin de mes llega otra vez
(Y el fin de mes llega otra vez)

Ya pagué el peg-pag, mi pecado
Más la cuenta del rosario que compré para rezar (Ave María)
También soy hijo de Dios
Si no rezo no voy al cielo (cielo, cielo, cielo)
Eh, ya fui pantera, ya fui hippie, beatnik
Tenía el símbolo de la paz colgado en el cuello
Porque alguien me dijo que era el camino de la salvación (ve)
Ya fui católico, budista, protestante
Tengo libros en la estantería, todos tienen la explicación
Pero no encontré, pero busqué
Para que veas que busqué
Busqué fumar cigarrillos Hollywood
Que la televisión me dice que son los cigarrillos del éxito
Soy éxito (soy éxito)
En la gasolinera lleno el tanque del carrito
Bebo a cambio mi cafecito, que es cortesía de la matriz
There's a Tiger en el chasis

Del fin de mes ya soy cliente
Del fin de mes ya soy cliente
Ya pagué mi pecado en la capilla
Bajo la luz de siete velas que compré para mi Señor del Bonfim, cuida de mí

Estoy terminando la cuota de mi agujero
Mi lugar en el cementerio para no preocuparme
De no tener donde morir
Menos mal que el mes que viene
Puedo morir, ya tengo mi tumba, mi tumba

Consulté, y creí, en el viejo cuento del psiquiatra
Que te enseña cómo vivir alegremente
Acomodado y conformado de pagar todo callado
Ser bancario o empleado sin jamás molestarse

Él solo quiere, solo piensa en adaptar
En la profesión su deber es adaptar
Él solo quiere, solo piensa en adaptar
En la profesión su deber es adaptar

Ya pagué la cuota de la nevera
Del carnicería apestosa que me vende carne podrida
Que tengo que comer
Que tragar sin vomitar
Cuando a veces desconfío
Si es gato, burro o mula
Ese trozo de carne que compré para mi patrona
Para que no, no, no me moleste

Es fin de mes, es fin de mes, es fin de mes
Es fin de mes, es fin de mes

Escrita por: Raul Seixas