Boca pouca
Pensando bem já estava tudo dado,
tudo estava escancarado e a gente nem notou.
A vida tão simples crescendo
misteriosamente, como numa mágica fascinante.
Toda hora as coisas vão passando,
dando seqüência ao movimento, de mais um dia, de mais um dia na memória,
no coração, de mais um dia no coração do tempo.
Dias de glória, alguns dias de dor, outros dias de mais calor ou de muita chuva que nos provocam, que jogam fogo e na fogueira nos atiçam pra dançar, uma dança assim que vem de dentro, que não importa ter início, nem ter fim. Que continua sempre sem parar, pelo meio ou pela beira dos abismos que oferecem outros tantos, tantos caminhos.
Levantando a poeira dessa dança que o vento produziu, ao conduzir os pés, as mãos e o coração e dançando vai rodando com magia, como um par tão precioso e imprevisto, que se joga e nos leva encantando na dança do tempo.
A minha boca ainda é pouca pra tudo o que eu desejo,
mas basta a cada dia morder alguma coisa diferente
pra que eu possa mandar bem, pra que eu possa me dar bem.
Pensando bem já estava tudo dado, estava tudo escancarado,
a gente quase nem notou numa noite qualquer,
nas ruas de asfalto alguns homens caminhavam, os edifícios altos desnudados pelas luzes que a cidade inventou piscavam.
Você e eu, andando por aí, a gente pode se bater e pode nunca se encontrar, estamos todos tão ligados e essa linha invisível que aproxima tudo e todos e nos deixa tão distantes ao mesmo tempo... Ao mesmo tempo, os carros passando, as pessoas que se olham e quase sempre nem se vêem, as armas apontadas vão vencer porque há medo e aflição,
as TVs são as granadas que invadem o tempo todo nossas casas.
As vozes, doces vozes que vêm e vão, buzinam, se confundem com o som dos pássaros e de passos no chão. São parte dessa sinfonia bela de tão louca, exuberante, que penetra em nossas almas, não se cansa de tocar.
A minha boca ainda é pouca pra tudo o que eu desejo,
mas basta a cada dia morder alguma coisa diferente
pra que eu possa mandar bem, pra que eu possa me dar bem.
A minha boca ainda é pouca pra tudo o que eu desejo,
Mas basta...
Boca escasa
Pensando bien ya todo estaba dado,
todo estaba abierto y nosotros ni lo notamos.
La vida tan simple creciendo
misteriosamente, como en una mágica fascinante.
A cada momento las cosas van pasando,
dando continuidad al movimiento, a otro día, a otro día en la memoria,
en el corazón, a otro día en el corazón del tiempo.
Días de gloria, algunos días de dolor, otros días de más calor o de mucha lluvia que nos provocan, que avivan la llama y nos incitan a bailar, un baile así que viene de adentro, que no importa tener inicio, ni tener fin. Que continúa siempre sin parar, por en medio o por el borde de los abismos que ofrecen otros tantos, tantos caminos.
Levantando el polvo de este baile que el viento produjo, al guiar los pies, las manos y el corazón y bailando va girando con magia, como un par tan precioso e inesperado, que se entrega y nos lleva encantando en el baile del tiempo.
Mi boca aún es escasa para todo lo que deseo,
pero basta cada día morder algo diferente
para que pueda hacerlo bien, para que pueda salir adelante.
Pensando bien ya todo estaba dado, todo estaba abierto,
nosotros casi ni lo notamos en una noche cualquiera,
en las calles de asfalto algunos hombres caminaban, los edificios altos desnudados por las luces que la ciudad inventó parpadeaban.
Tú y yo, caminando por ahí, podemos chocar y tal vez nunca encontrarnos, estamos todos tan conectados y esa línea invisible que acerca todo y a todos y nos deja tan distantes al mismo tiempo... Al mismo tiempo, los autos pasando, las personas que se miran y casi nunca se ven, las armas apuntadas van a ganar porque hay miedo y aflicción,
las TVs son las granadas que invaden todo el tiempo nuestras casas.
Las voces, dulces voces que vienen y van, pitan, se confunden con el sonido de los pájaros y de pasos en el suelo. Son parte de esta sinfonía bella de tan loca, exuberante, que penetra en nuestras almas, no se cansa de tocar.
Mi boca aún es escasa para todo lo que deseo,
pero basta cada día morder algo diferente
para que pueda hacerlo bien, para que pueda salir adelante.
Mi boca aún es escasa para todo lo que deseo,
Pero basta...
Escrita por: Rebeca Matta