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Sampa

Renato Vargas

Sampa

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São joão
É que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Das deselegancias discretas de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São joão
Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gosto
É que narciso acho feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um dificil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro samba feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso, do avesso, do avesso, do avesso
Do povo orpimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e detroi coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
Suas oficinas e florestas, seus deuses da chuva
Pan America de africas utopicas
Todo um samba mais famoso, um novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos te podem curtir numa boa.

Sampa

Algo sucede en mi corazón
Que solo cuando cruzo Ipiranga y la Avenida São João
Es que cuando llegué por aquí, no entendí nada
De la dura poesía concreta de tus esquinas
De las elegancias discretas de tus chicas
Todavía no había para mí Rita Lee
Tu traducción más completa
Algo sucede en mi corazón
Que solo cuando cruzo Ipiranga y la Avenida São João
Cuando te miré cara a cara y no vi mi rostro
Llamé de mal gusto lo que vi, de mal gusto el mal gusto
Es que Narciso encuentra feo lo que no es espejo
Y la mente asusta lo que aún no es viejo
Nada de lo que no era antes cuando no somos mutantes
Y fue un difícil comienzo, alejo lo que no conozco
Y quien viene de otro samba feliz de ciudad
Aprende rápido a llamarte realidad
Porque eres el reverso, del reverso, del reverso, del reverso
Del pueblo oprimido en las filas, en los barrios, favelas
De la fuerza del dinero que levanta y destruye cosas bellas
De la fea humareda que sube apagando las estrellas
Veo surgir tus poetas de campos y espacios
Sus talleres y bosques, sus dioses de la lluvia
Panamérica de Áfricas utópicas
Todo un samba más famoso, un nuevo quilombo de Zumbi
Y los nuevos baianos te pueden disfrutar sin problemas.

Escrita por: Caetano Veloso