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Senoide

Riva Spinelli

Senoide

Vejo senhoras
Carregando sua cria
Sinto a vida em harmonia
Solto a voz esganiçada

Subo a calçada
No calor do meio dia
Convocando a freguesia
Com a mochila pendurada

Que nem moleque
Pés descalços pela rua
Me refresco na biqueira
Como jambo e seriguela

Milho e canela
Na caneca de alumínio
Escorrendo pela boca
De criança magricela

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

Dá meia noite
O solado pede arrego
Não encontro um sossego
GPS desligado

Sentindo fome
Sem achar um aconchego
Tô perdido em meu apelo
Vou pra casa aperreado

Faço de conta
Que amanhã a coisa muda
Tento achar o jeito certo
Traço minha ladainha

Chamo a vizinha
Pruma prece à brasileira
Solto o verbo, sai besteira
Acho que é o final da linha

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

Saiu da minha casa
Rebolando, inconsequente
Mas não era para mim
Sim, prum mundo reluzente
Fez tudo por amor
Só não foi no tempo certo
Pereceu em desengano
Nessa selva de concreto

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

E chega ao fim
Não sobra nada
São para mim
Como quadros desbotados
Pelo tempo em nossa sala

Senoide

Veo señoras
Cargando a sus crías
Siento la vida en armonía
Suelto la voz chillona

Subo a la acera
En el calor del mediodía
Convocando a la clientela
Con la mochila colgada

Como un chico travieso
Pies descalzos por la calle
Me refresco en la fuente
Como jocote y ciruela

Maíz y canela
En la taza de aluminio
Goteando por la boca
De un niño flacucho

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Da medianoche
La suela pide tregua
No encuentro paz
GPS apagado

Sintiendo hambre
Sin encontrar refugio
Estoy perdido en mi súplica
Voy a casa agobiado

Hago como que
Mañana las cosas cambian
Intento encontrar el camino correcto
Recito mi letanía

Llamo a la vecina
Para una oración a la brasileña
Suelto la lengua, salen tonterías
Creo que es el final del camino

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Salió de mi casa
Bailando, sin pensar
Pero no era para mí
Sino para un mundo brillante
Hizo todo por amor
Solo que no fue en el momento adecuado
Pereció en desilusión
En esta selva de concreto

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Y llega al final
No queda nada
Son para mí
Como cuadros desteñidos
Por el tiempo en nuestra sala

Escrita por: Riva Spinelli